A condenação resulta de ação proposta por ministérios públicos e defensores públicos contra a veiculação de campanha publicitária de autopromoção após a tragédia de Mariana. Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), foi destruído no rompimento da barragem de Fundão Raquel Freitas/g1 Fundação Renova, Vale, Samarco e BHP Billiton foram condenadas a pagar R$ 56 milhões de indenização por promoção de publicidade ilegal após o rompimento do Fundão barragem, em Mariana, Região Central de MG. A tragédia, em 2015, deixou 19 mortos, destruiu comunidades e causou extensos danos ambientais. A condenação é resultado de ação civil movida por ministérios públicos e defensores públicos contra a autopromoção da Renova, mantida pelas mineradoras. Segundo os órgãos, a instituição divulgou propositalmente “informações imprecisas, duvidosas, incompletas ou enganosas” para minimizar o impacto do desastre (entenda abaixo). Segundo o processo, no período de 2018 a 2021, a fundação gastou R$ 28,1 milhões em publicidade e, em pouco mais de um mês, gastou R$ 17,4 milhões em um único contrato. No total, foram 861 inserções em TVs e 756 em rádios, sem incluir matérias veiculadas em veículos impressos e portais de notícias. Para o tribunal da 4ª Vara Federal Cível e Agrária de Belo Horizonte, ficou evidente o desvio de propósito na “criação de uma narrativa fantasiosa em favor da própria fundação”. “A situação, além de demonstrar o desrespeito da Renova ao seu próprio estatuto, demonstra claramente a falta de respeito com as vítimas e com a sociedade brasileira. […] Essa tentativa de controlar a narrativa para criar uma campanha orquestrada de desinformação não é apenas imoral, mas também ilegal”, diz trecho da decisão. Com a decisão, as empresas deverão realizar contrapublicidade do material publicitário publicado há alguns anos em diversos meios de comunicação, corrigindo as inverdades, distorções e omissões. Além disso, a Renova deverá pagar indenização por danos materiais e morais coletivos no valor de R$ 56.302.564,60 “Além de não reconhecer a responsabilidade pelo desastre, as ações publicitárias da Renova minimizam os danos. impacto da própria tragédia, contrariando o entendimento da Corte Interamericana de Direitos Humanos, pois a Corte entende que os atos de reconhecimento de responsabilidade são uma das medidas de reparação”, finaliza o documento. O g1 procurou a Renova e as mineradoras para um posicionamento, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. Desvio de finalidade e má-fé Os anúncios contestados pelas instituições de Justiça falavam sobre toxicidade de resíduos, qualidade da água, pagamento de indenizações, obras de infraestrutura e reassentamento, municípios abrangidos e transferências realizadas, recuperação econômica, estudos de saúde, povos tradicionais, histórico, cultural e emocional projetos patrimoniais, sociais e de proteção social. Em todos eles, com exceção da propaganda sobre a qualidade da água, o tribunal reconheceu a validade das alegações quanto ao conteúdo que visa minimizar, omitir e até contrariar a realidade. Segundo os órgãos, ao tratar da toxicidade de resíduos e de estudos sanitários, por exemplo, as peças publicitárias ignoraram propositalmente estudos contratados pelo MPF que apontavam contaminação metálica em tecido muscular de peixes na área afetada pela ruptura, bem como a existência de substâncias químicas que possam causar danos aos seres humanos. A Justiça Federal também considerou que a entidade, ao refutar as denúncias feitas por ministérios públicos e defensores públicos, agiu de má-fé, “sem qualquer pudor ou autocrítica, ao defender em juízo argumentos baseados em informações falsas”. A tragédia Rompimento da barragem de Fundão destruiu casas em Mariana e Barra Longa Lucas Leão/TV Globo O rompimento da barragem de Fundão ocorreu em 5 de novembro de 2015 e causou o maior desastre ambiental da história do país. Cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração destruíram comunidades e meios de subsistência, contaminaram o Rio Doce e seus afluentes e chegaram ao Oceano Atlântico, no Espírito Santo. No total, 49 municípios foram afetados, direta ou indiretamente, e 19 pessoas morreram. LEIA TAMBÉM: Sem condenação dos responsáveis, tragédia em Mariana completa 8 anos e famílias esperam reparação: ‘Estarei vivo para ver isso?’ Ação na Inglaterra pede R$ 230 bilhões de indenização para 700 mil vítimas do desastre de Mariana Atingidos pela barragem de Mariana pedem quase R$ 18 bilhões de mineradoras em novo processo na justiça holandesa Os vídeos mais vistos no g1 Minas:
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