Esquema de lavagem de dinheiro serviu ao crime organizado e permitiu que empresas devedoras escondessem dinheiro, diz PF. Os bancos negam irregularidades e dizem que cooperam com as investigações. Entenda o relatório da Justiça sobre o esquema de fraude bilionária que prendeu 14 A Polícia Federal (PF) investiga se os bancos Rendimento e Bomsucesso (hoje BS2) foram cúmplices do esquema de fraude bilionária com uso de fintechs, revelado na Operação Concierce, que prendeu 14 pessoas e cumpriu 60 mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira (29). Segundo a Polícia Federal, as fintechs são suspeitas de liderar um esquema criminoso de blindagem patrimonial e lavagem de dinheiro para diversos clientes, incluindo facções criminosas e empresas devedoras da Receita Federal. “Essa utilização de instituições financeiras oficiais para oferecer serviços não autorizados pelo Banco Central permitiu a blindagem patrimonial e a lavagem de ativos bilionários, bem como a evasão fiscal, uma vez que pessoas jurídicas e transações reais foram ocultadas do sistema financeiro oficial”, diz o Ministério Público Federal, em parecer. A investigação mostra que as fintechs realizaram transações suspeitas sem que os bancos notificassem os órgãos de controle. Além disso, afirma que, ao não controlarem as transacções dos particulares, os bancos não cumpriram as regras do sector bancário e, ao fazê-lo, facilitaram a prática de crimes. “As instituições financeiras oficiais (Banco Rendimento e Banco Bonsucesso) contornaram as regulamentações do Banco Central e autorizaram o uso de suas contas bancárias como “pocket accounts” por essas instituições financeiras clandestinas, que, novamente, movimentaram grandes quantidades de recursos criminosos, sem qualquer tipo de controle pelos órgãos competentes e até dificultando a análise pelos órgãos responsáveis pela persecução penal”, apontou o MPF. Banco Rendimento O Banco Rendimento, com sede na Avenida Rebouças, em São Paulo (SP), é suspeito de ter ajudado o Banco T10, fintech cujos sócios foram presos na operação, na ocultação de dinheiro e na lavagem de bens. “Após as quebras de sigilo, foi revelado, conforme análise da autoridade policial, corroborada pelo MPF, que houve um mecanismo ilegal criado entre o Banco Rendimento e a pessoa jurídica T10 BANK, com o objetivo de supostamente lavar dinheiro de terceiros “Segundo a PF, no início da investigação, por ordem judicial, foram solicitadas informações ao banco sobre as movimentações do T10, mas os dados foram enviados com atraso. Por isso, a Justiça autorizou, e a PF acatou nesta quarta, a apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos na sede da instituição financeira. “Não há fidedignidade nos dados fornecidos”, afirma o juiz ao justificar a expedição do mandado de busca e apreensão. E como o banco teria ajudado a fintech com fraudes? Segundo a investigação, o T10 utilizou uma conta de pessoa jurídica no Banco Rendimento, a chamada “conta-purse”, para movimentar o dinheiro dos seus clientes. Como resultado, o sistema financeiro não conseguiu monitorizar quais os indivíduos que estavam efectivamente a efectuar as transferências, dando-lhes uma espécie de invisibilidade. “Da análise dos extratos enviados pelo Banco Rendimento, alimentados pelo T10, constatou-se que valores decorrentes da evasão fiscal e do crime organizado entraram na conta bolso T10, justamente porque a pessoa jurídica ofereceu seus serviços ilícitos, adaptados a todo e qualquer tipo do crime”, aponta a perícia da PF. Em nota ao g1, o Banco Rendimento afirmou que segue toda a regulamentação do Banco Central e órgãos competentes, “também aplicada desde o início do relacionamento com o Banco T10, onde foram realizadas todas as avaliações recomendadas”. “À data da operação realizada ontem, o Banco Rendimento já não prestava os serviços mencionados ao Banco T10. O Banco Rendimento está a cooperar com as investigações”, refere a nota. Agentes da PF cumprem ordens judiciais na Operação Portaria Polícia Federal Banco Bonsucesso (BS2) O Banco Bonsucesso, hoje BS2, é suspeito de operar, segundo a Polícia Federal, o esquema de lavagem de dinheiro e proteção patrimonial da outra fintech investigada na operação, a Inovepay . Sua sede, em Belo Horizonte (MG), também foi alvo de busca e apreensão da PF nesta quarta. “Constatou-se a existência de um sistema fraudulento criado para suposta lavagem de dinheiro, que, segundo destacou a autoridade policial, tinha ‘pleno conluio com o Banco Bonsucesso’”, afirma o juiz. Segundo a investigação, a InovePay movimentou R$ 7 bilhões entre 2019 e 2023 na conta que tinha no Banco Bonsucesso, parte desse dinheiro em transações suspeitas. Na decisão que autorizou os mandados, o Tribunal afirma, porém, que o BS2 não efetuou qualquer comunicação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), órgão brasileiro responsável pelo monitoramento de suspeitas de lavagem de dinheiro. “Tanto a autoridade policial quanto o MPF destacaram que é ainda mais grave que não tenha sido constatada nenhuma comunicação do Banco Bonsucesso (BS2) ao COAF, principalmente considerando que o Banco Bonsucesso é responsável pela liquidação das transferências e pela administração do bolso da conta operada pelo InovePay”, aponta fora do Tribunal. O Banco Bonsucesso (BS2) disse ao g1 que já havia informado sobre o Inovepay ao Coaf, “ao contrário do que foi noticiado” e afirmou que nenhuma das 194 empresas ou pessoas físicas citadas na investigação tinha conta com eles. “Cópias desses relatórios e demais provas foram entregues às autoridades ontem (28/08). Com isso, reforçamos que o BS2 opera em total conformidade com a regulamentação vigente”, disse o BS2. A InovePay negou os fatos alegados pela PF e disse que “as medidas tomadas até o momento pelas autoridades foram unilaterais, sem que os argumentos da empresa fossem ouvidos”. Entenda o esquema que usava contas em bancos tradicionais para enganar o sistema financeiro Facções como clientes A organização criminosa investigada pela Polícia Federal (PF) na Operação Portaria, que revelou fraude bilionária com uso de fintechs, é suspeita de lavagem de dinheiro de tráfico de drogas e ocultação de valores para a UPBus, empresa de ônibus suspeita de envolvimento com o PCC. Na decisão que autorizou os 17 mandados de prisão cautelar e os 60 mandados de busca e apreensão, há pelo menos duas ligações entre as fintechs e a facção criminosa que atua em São Paulo (SP). “Esse esquema de lavagem de dinheiro permitiu o financiamento e, portanto, a continuidade de inúmeros crimes anteriores, já expostos, sendo um deles o tráfico de drogas, gerando imensos prejuízos sociais”, diz o parecer do Ministério Público Federal. Operação Carros apreendidos chegam ao pátio da Polícia Federal em Campinas Márcio Silveira/EPTV Operação Portaria foi flagrada na manhã desta quarta-feira. As 14 prisões foram feitas nas residências dos investigados em Campinas (SP), São Paulo (SP), Ilhabela (SP), Sorocaba (SP) e Americana (SP). As apreensões ocorreram em diversos estabelecimentos, inclusive lojas de veículos. A Justiça também autorizou o bloqueio de R$ 850 milhões em contas ligadas à organização criminosa. Sob escolta, os carros de luxo apreendidos foram levados durante todo o dia ao pátio da PF em Campinas e a um estacionamento alugado pela corporação. Existem SUVs e carros esportivos de marcas de luxo como Porsche, Land Rover, BMW, Volvo e Mercedes-Benz. Ainda segundo a PF, os agentes também apreenderam joias, relógios e centenas de máquinas de cartão de crédito, além de documentos, celulares e computadores. Os itens deverão passar por perícia e depois serão depositados em conta judicial. Sócios de empresas entre os presos o g1 apurou que as empresas investigadas na operação são Inovebanco e Banco T10. Os sócios das duas empresas, Patrick Burnett e José Rodrigues, respetivamente, foram detidos esta quarta-feira. Patrick Burnett, presidente do Inovebanco, e José Rodrigues, fundador do T10 Bank Reprodução EPTV, afiliada da TV Globo, e o g1 tentaram contato com o T10 Bank para tentar posicionar a defesa, mas não obtiveram resposta. O Grupo Inove Global afirmou que os advogados da empresa tiveram acesso ao conteúdo da investigação esta quinta-feira. “A empresa nega veementemente ter qualquer relação com os fatos citados pelas autoridades policiais e divulgados pela imprensa, o que será demonstrado ao longo do processo. E destaca sua total disposição em colaborar com as investigações”, afirma Inove, em nota. Como funcionou o esquema? As fintechs investigadas possuem conta corrente como pessoa jurídica em banco comercial tradicional. Essa conta é chamada de “bolso” e serve para fazer transações com o dinheiro dos seus clientes de forma “invisível”, pois é praticamente impossível rastreá-los. Veja o exemplo abaixo: O indivíduo “A” bloqueou contas e quer continuar ativo no mercado financeiro, realizando transações, recebendo e enviando valores. Ela então abre uma conta na fintech e controla por meio de um aplicativo; Esta pessoa “A” faz uma transferência para a pessoa “B” através deste aplicativo; A fintech, por sua vez, possui conta corrente como pessoa jurídica em banco comercial tradicional; Quando você transfere um valor para a pessoa “B” através da fintech, na verdade, a pessoa “A” é transferida para a conta jurídica que a fintech possui no banco comercial. Como a pessoa “A” não tem vínculo com o banco comercial, seu nome não constará no extrato, mas sim o do titular da conta da fintech. A transferência para a pessoa “B”, por sua vez, aparece no extrato como proveniente da pessoa jurídica da fintech e não da pessoa “A”. Neste esquema, a pessoa “A” fica invisível e pode manter seus bens livres de restrições. A investigação mostra que o volume de dinheiro movimentado a crédito pelas duas fintechs, entre 2020 e 2023, foi de R$ 3,5 bilhões, segundo a Polícia Federal. ‘Concierge’ Os investigados serão responsáveis por gestão fraudulenta de instituições financeiras, operação de instituição financeira não autorizada, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, crimes contra o sistema tributário e organização criminosa. O nome da operação, “Concierge”, é uma palavra francesa que se refere a um profissional que atende necessidades específicas dos clientes e faz alusão à prestação de serviços clandestinos para ocultação de capitais. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais novidades da região no g1 Campinas
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