A rede estadual do Rio apareceu como a segunda pior do país no ensino médio, segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – Ideb Durante o dia, a maior parte do Ciep 374 Augusto Rodrigues, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, funciona apenas com energia solar . À noite, a escola precisa improvisar. Desde março, tem havido uma intermitência no fornecimento de luz que deixa a maioria dos quartos às escuras. Assim, as turmas do ensino médio no período noturno já tiveram que ter aulas no refeitório por falta de espaços adequados com iluminação. Essa é uma das dificuldades enfrentadas por estudantes e professores da rede estadual do Rio. Infográfico Editoria de Arte Anteontem, o governo federal divulgou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica do país e a rede estadual do Rio aparecia como a segunda pior do país em termos de educação. médio, à frente apenas do Rio Grande do Norte. Essa é uma posição que o estado já ocupava em 2011 e que volta a viver situações como a do Ciep 374. A Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc-RJ) informa que já está em andamento um processo para reajustar a carga elétrica do a concessionária, mas as reclamações continuam. — Já imaginou um professor sem um quadro para contextualizar e explicar o conteúdo? Sem falar na dificuldade de manter a disciplina e a atenção dos alunos em nossas aulas — afirma uma professora da escola. Os dados mostram que o Ideb do estado caiu de 3,9, em 2021, para 3,3, em 2023. Considerando apenas o resultado da prova do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que mede o aprendizado dos alunos em Língua Portuguesa e Matemática, a nota do Rio foi de 4,2 em 2019 para 3,3 em 2023. Centelha de esperança Enquanto na rede estadual o cenário é sombrio, no município, quando se trata do ensino fundamental, é possível ver a luz. A rede municipal recebeu nota 6 (no segmento anos iniciais) no Ideb, mas não superou a meta (6,4). No segundo segmento, entre as capitais do Sudeste, a rede municipal obteve a melhor pontuação no Ideb 2023: 5,2. Está à frente de Vitória (nota 5), São Paulo (nota 4,8) e Belo Horizonte (nota 4,7). No país, o município do Rio está em quinto lugar. Renan Ferreirinha, secretário municipal de educação, acredita que o resultado é efeito do programa de avaliação. — Em 2021, criamos a Gestão de Aprendizagem e Resultados (GRA), fruto da nossa percepção de atuação nas escolas do Rio. A cidade teve um apagão de dados, então voltamos a fazer avaliações bimestrais para entender se o aluno estava com dificuldades. Privilegiamos o acompanhamento da aprendizagem, formação, formação contínua, avaliação e material pedagógico. Esses são os nossos quatro pilares — afirma Ferreirinha. Rede estadual definha Entre as piores escolas públicas de ensino médio da capital, são todas estaduais. E, no ranking dos melhores, não há nenhum coordenado pelo estado. A discrepância de resultados entre escolas municipais e estaduais não surpreende os especialistas. O erro apontado pela maioria dos profissionais ouvidos pelo GLOBO é a falta de sistemas de avaliação no estado. Diretora do Instituto João e Maria Backheuser (IJMB) e especialista em política educacional, Teca Pontual lembra a extinção do Saerj (Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio de Janeiro) em 2017. — A estrutura que o estado oferece atualmente não favorece o ensino. Estamos vendo o desmonte da gestão educacional. Não há mais avaliação, então fica muito difícil fazer a gestão da secretaria. É importante mostrar os resultados por aluno e por professor — afirma. Como na rede pública os alunos realizam o ensino fundamental em escolas municipais e o ensino médio em escolas estaduais, é fato que, em algum momento, os adolescentes passarão por dificuldades. Priscila Cruz, presidente do Todos Pela Educação, explica que a descontinuidade é prejudicial. — Vamos imaginar que o ensino fundamental é a primeira metade do jogo e o ensino médio é a segunda. O aluno que está na rede municipal do Rio vence o jogo no primeiro tempo. E ele ganha bem. Depois ele lidera por 7 a 1 no segundo tempo. Depois, ele perde o jogo na etapa final. Isso é muito ruim — enfatiza ela. Uma das soluções para o problema pode passar pela construção de um diálogo entre as diferentes redes, acredita o especialista: — É preciso ter um projeto claro com os municípios. Mesmo que ele não tenha responsabilidade direta pela gestão das escolas, é preciso que haja parceria. O estado precisa realizar um trabalho colaborativo com os municípios e um projeto pedagógico claro, num processo que seja compartilhado com toda a rede. Num cenário contrastante ao idealizado pelo especialista, estado e município parecem jogar em times opostos. Em nota enviada ao GLOBO, a secretaria de governo de Cláudio Castro afirma que “o governo herdou um déficit histórico de aprendizagem, e recebe alunos do ensino fundamental com lacuna de ensino, impactados pela aprovação automática de alunos, conforme determinação do MEC em 2021 e 2022”. Ao contrário do que aponta a secretaria, a aprovação automática não foi determinada pelo Ministério da Educação; mas recomendado pelo Conselho Nacional de Educação. De qualquer forma, na lista das dez piores escolas públicas do estado para o ensino médio, nove ficam na capital. Ontem, na porta de uma das piores escolas públicas do Rio, o Colégio Francisco Campos —municipal durante o dia e estadual à noite—, pais de alunos matriculados demonstraram insatisfação com a educação. A auxiliar de creche Maria Souza, 30 anos, tem uma filha de 8 anos e um filho de 6 matriculados no turno vespertino da rede de ensino e está tentando mudar de escola. — O ensino é muito fraco. Parece que as crianças estão sempre fazendo a mesma coisa. Já houve momentos em que tiveram que ficar três dias seguidos sem aulas, só porque tinha algum professor viajando ou participando de outras atividades — conta Maria. A secretaria de educação afirma que “uma série de medidas refletirá positivamente no Ideb” e cita a “recomposição do ensino para todas as 1.233 unidades da rede e a ampliação da oferta de ensino em tempo integral, com 80 mil vagas em 400 escolas” . A secretaria diz ainda que o resultado “é um problema nacional, agravado pela pandemia”.
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