Nova lei considera a região como o “coração político e administrativo do Brasil” durante o Império Português Da janela do Palácio, Sua Alteza acompanhava o movimento no Largo do Carmo. De um lado, embarcações na baía chegavam e partiam. Por outro lado, o comércio local era movimentado, dominado por escravos em busca de lucro (que saíam às ruas para trabalhar para seus senhores). De vez em quando, Sua Majestade chegava a aventurar-se na Farmácia Granado, na Rua Direita, onde, como bom católico, também assistia à missa na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Sé Velha. O Palácio ainda lá existe e a praça passou a chamar-se Praça Quinze para assinalar a chegada do “novo” regime: a República. A atual Primeira de Março, antiga Rua Direita, alberga ainda o Granado, agora com decoração contemporânea, e a Sé Velha, restaurada como nos tempos áureos. Encontrados: Filho e nora posam com casal brasileiro desaparecido há cinco dias no Chile Veja bairros com mais casos: Furtos de celulares e furtos de pedestres aumentam na Zona Sul do Rio Presença de Dom Pedro II, que reinou no Brasil de 1840 a 1889, e seu pai, Pedro I — monarca da Declaração da Independência, em 1822, até 1831 —, ainda hoje é sentido em vários pontos do Rio de Janeiro. Tanto que o Centro do Rio foi considerado oficialmente o terceiro bairro imperial da cidade, ao lado de São Cristóvão e Santa Cruz. A proposta de Lei nº 8.519/2024, de autoria do vereador Pedro Duarte (Novo), publicada no Diário Oficial no final de julho, reconhece o Centro como o “coração político e administrativo do Brasil” no período imperial. “Foi lá que foram tomadas decisões importantes”, prossegue o texto, antes de sugerir que o título concedido “pode impulsionar o turismo histórico e educativo da região, incentivando visitas a museus, visitas guiadas e atividades económicas”. Palco de lutas e mudanças Como aprendemos na escola, entre os reinados de pai e filho ocorreu o Período Regencial (1931-1940), marcado por governos provisórios e revoltas por todo o país, e terminou com a declaração da maioria de Pedro II . Até o início desse conturbado período histórico tem origem na região da cidade que hoje ostenta um título de nobreza: ali, tendo a Rua da Quitanda como epicentro, em 1931, aconteceu a Noite das Garrafadas, uma luta histórica entre portugueses ( partidários de Dom Pedro I) e brasileiros (a maioria ex-escravizados) que culminaria com a abdicação do imperador, em 7 de abril de 1831. A Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé foi palco da coroação do dois imperadores do Brasil Custódio Coimbra Como vocês podem perceber, o tempo do Império marcou a arquitetura do Centro do Rio, mas também os caminhos da História e os padrões de comportamento. O historiador André Luis Mansur observa que nesse período as ruas do Ouvidor, Rosário e Direita se consolidaram como espaços culturais. Por eles fervilhava o movimento de jornais, editoras, lojas de roupas, cosméticos, perfumaria, comércio e outras atividades econômicas, como lojas e armazéns de importação e exportação, principalmente de café; casas de câmbio; e assim por diante. — O grande legado do Império foi a consolidação da vida urbana e cultural no coração da cidade. O Paço Imperial foi um centro de poder muito importante naquela época e é o principal marco do período no Rio. Dom Pedro II esteve muito presente e participou bastante das atividades ali realizadas. Então, todo o ambiente teve essa influência — explica o historiador. Sede do Império Português Antes mesmo da coroação dos primeiros (e únicos) imperadores brasileiros, a chegada da família real portuguesa em 1808, fugindo de um ataque das tropas francesas, conferiu ao Brasil o status inédito de sede do Império Português. A partir desta época surgiram as primeiras grandes intervenções para acomodar o tribunal. Instalações como o Paço Imperial e a vizinha Igreja de Nossa Senhora do Carmo já existiam, mas ganharam novas funções com a chegada dos nobres portugueses. O Palácio, por exemplo, passou por obras de ampliação e reorganização para abrigar salas como a Sala do Trono, onde eram recebidos os súditos para a tradicional cerimônia do beijo. A atual Central do Brasil já era estação ferroviária no Segundo Reinado: a primeira estrutura com linha férrea foi construída na região em 1858, e anos depois passou a se chamar Estação Dom Pedro II. O imperador ainda está diretamente ligado a outro marco do Centro: por incentivo seu, para abrigar um posto alfandegário, foi construído na Ilha Fiscal um casarão em estilo neogótico. Inaugurada em 1889, a obra não trouxe boa sorte a Sua Alteza: entrou para a história como palco do “Último Baile do Império”, realizado dias antes da Proclamação da República. — As pessoas passam por esses pontos e não têm ideia da importância que esses elementos históricos foram para a nossa sociedade, que passou por um processo de evolução urbana — destaca Pedro Henrique Acosta, professor de História e doutorando em Ciências Sociais e Antropologia pela Universidade Federal Rural Rio de Janeiro (UFRRJ). A historiadora Grazielle Possidente destaca as mudanças aceleradas na cidade com a chegada da família real. Foi assim que começaram os investimentos em infraestrutura e a busca por soluções para os problemas do cotidiano da região. Em 1857, iniciaram-se as obras de saneamento com a construção do Canal do Mangue, próximo à Cidade Nova, para escoamento de águas pluviais e fluviais. — Não tinha saneamento básico, nada. Tentaram aproximar o Rio o mais possível da Europa”, diz ela. Novos planos Professora de literatura e guia turística, Fernanda Gonçalves está montando um roteiro turístico em parceria com a prefeitura. — As histórias que abordo estão ligadas a essas décadas de 1860 e 1870. A ideia é olhar a cidade através das histórias de Machado de Assis. Isso estará muito presente no roteiro do Centro Imperial — afirma Fernanda. Outra parceria, esta entre as secretarias municipais de Turismo e Pessoas com Deficiência, prevê tornar o percurso pelo Centro Imperial inclusivo e acessível. — Estamos finalizando o projeto para que os turistas possam acompanhar e conhecer os atrativos da época, a maioria deles localizados no Centro. O grande benefício é manter e relembrar a nossa História — afirma Daniela Maia, secretária de Turismo do Rio.
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