Cerca de 40 animais recolhidos em rodovias de Viana, na Região Metropolitana de Vitória, participam do projeto, que já atendeu 2.167 crianças, 12 idosos e 1.080 presos. Cavalos abandonados são cuidados por presidiários e ajudam crianças da Apae em equoterapia dentro do presídio do ES Ricardo Medeiros/A Gazeta A equoterapia invadiu os muros da Penitenciária Agrícola do Espírito Santo (Paes), em Viana, na Região Metropolitana de Vitória, e tem auxiliado no tratamento de crianças com necessidades especiais atendidas pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) dentro da própria unidade prisional. Idosos também são atendidos pelo projeto, o que também beneficia diversos internos que cumprem pena ali. As sessões apresentam cavalos abandonados, resgatados em diversas ruas da cidade, e um doado por um fazendeiro local. Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram Esse benefício mútuo entre crianças, animais e presidiários faz parte de um projeto que existe desde 2015 e já utilizou cerca de 40 animais. Segundo a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus), 2.167 crianças e 1.080 presos já foram atendidos ao longo dos anos. A maior parte dos animais foi retirada das ruas onde poderiam sofrer ou causar acidentes fatais. Na equoterapia, eles têm a possibilidade de continuar suas vidas com tratamento adequado, recebendo cuidados dos internos, em área aberta e pasto na própria penitenciária. Mais de 2 mil crianças já participaram do projeto de equoterapia em um presídio do Espírito Santo Ricardo Medeiros/A Gazeta Mas como funciona o projeto? Os presos trocam celas de prisão por celas de cavalos que precisam ser preparadas para aulas de pacientes. Os presos são responsáveis por cuidar dos animais com banho, escovação e alimentação. Além disso, a cada três dias trabalhados, o preso tem a redução de um dia de pena. As crianças que necessitam de terapia fazem as atividades como brincadeiras ao ar livre, com troca de carinho entre a equipe e, principalmente, o animal. Mas para os especialistas, o contato direto entre animais e crianças vai além da brincadeira. Funciona como parte de um tratamento. Cavalos abandonados e cuidados por presidiários ajudam crianças da Apae com equoterapia Evolução em pouco tempo Para os pais, a diferença é rápida e a evolução surpreendente. A pequena Laysla Simmer, de 6 anos, foi diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e, para sua mãe, a dona de casa Maria do Carmo Simmer Bessa, a equoterapia fez toda a diferença na vida da menina. “Minha filha tinha problemas sensoriais e não verbalizava. Quando ela começou a equoterapia ela chorava muito, era desesperadora, não queria nem chegar perto do cavalo. Hoje ela acaricia, puxa o cavalo por toda a arena, interage, pisa descalça na areia e na pedra. Uma vitória para toda a família”, relatou a mãe. Presos disseram ao g1 que são gratos por ajudar crianças que fazem equoterapia dentro de um presídio no Espírito Santo Ricardo Medeiros/A Gazeta Laysla é estudante da Apae de Viana e, duas vezes por semana, vai ao Complexo Penitenciário para fazer as atividades. Mesmo com a supervisão dos profissionais da Apae e dos pais, os presos também participam das sessões. Atividade dentro do presídio causa estranheza Por não ser um ambiente comum, a equoterapia desenvolvida no presídio com a ajuda de pessoas que estão lá por um crime cometido chama a atenção dos pais. “No começo eu gerei um certo preconceito. Mas depois que você começa a ter contato, você vê a evolução da criança, você vê também a importância do trabalho deles para a sua pena, na socialização deles como pessoas para a sociedade. nossos filhos. Eles tomam muito cuidado com nossos filhos para não se machucarem, cuidam dos animais para realizar a atividade vejo que é gratificante tanto para nós como família quanto para os internos que precisam reduzir. essa sentença para ganhar liberdade e retorno para a sociedade”, disse a mãe de Laysla. Complexo Penitenciário de Viana, no ES Reprodução/ TV Gazeta Segunda Chance g1 esteve no presídio e observou de perto a interação entre crianças e animais, e também com os detentos. Destemida e ansiosa, Laysla acariciou e montou Prometheus, cavalo que se dedica à equoterapia no local desde 2019. Além de Prometheus, os internos são responsáveis pelo cavalo Gigante, pelo pônei Pequenino e pela mula Fazenda. O estagiário Jeferson Dias da Costa disse que foi um prazer se dedicar ao projeto que faz tão bem aos pequenos. A diretora da Penitenciária Agropecuária do Espírito Santo, Leizielle Marçal, disse que o projeto consegue atender perfeitamente três áreas sociais: animais abandonados, presidiários e crianças da Apae. “É uma terapia para as crianças e para nós também. Vemos a evolução a cada dia que passa. Os animais são bem tratados, recebem treinamento e treinamento todos os dias. Estão totalmente preparados para atender quem precisa de equoterapia. Sou um privilegiado por participar , nem dá para perceber que estamos presos. Estamos livres de segunda a segunda, trabalhando com os animais e ajudando no dia a dia só tenho a agradecer”, disse Jeferson. Presos cuidam de celas e cavalos em equoterapia dentro de presídio no Espírito Santo Ricardo Medeiros/A Gazeta “Tenho visto muitos benefícios. Crianças que não conseguiam pisar, que hoje conseguem, que chegaram aqui sem falar, sem conviver, e hoje eles socializam equoterapia. É uma prática muito cara e aqui é gratuita”, destacou o diretor. Leizielle explicou ainda que, com a mão de obra aplicada no projeto, a ociosidade do preso é reduzida. A cada três dias trabalhados é reduzido um dia da pena, de acordo com os critérios de remissão de pena, previstos na Lei de Execução Penal. VEJA TAMBÉM Equoterapia: Atividades com cavalos ajudam pessoas com deficiência física e intelectual Projeto leva orquestra a escolas públicas do ES e transforma quadras esportivas em palcos de espetáculos Presos que participam da atividade passam por avaliação criteriosa da comissão técnica de classificação da unidade prisional, formada de assistentes sociais e psicólogos. “Quem participa passa a olhar a vida de outra forma. Temos pouca reincidência criminal nesse projeto. Já tivemos presos que trabalharam aqui e conseguiram emprego através da equoterapia”, explicou o diretor. Johnny Camporez Brito tem 6 anos e faz equoterapia em presídio do Espírito Santo Ricardo Medeiros/A Gazeta Há mais de um ano, o presidiário Adonai Reis de Almeida se dedica a cuidar dos animais e da área utilizada para atividades. Ele disse que sempre morou no campo e tinha experiência no cuidado desses animais. Cadastre-se no canal g1 ES no WhatsApp para receber nossas novidades “A terapia representa um trabalho muito importante que beneficia muitas crianças com deficiência, além de nos ajudar na ressocialização na sociedade. Adonai. Para o presidiário Sedimar Oliveira Gonçalves, ele e seus colegas também aprendem com crianças que necessitam de equoterapia, além de terem contato com a natureza. “É mais um passo em direção ao futuro, para voltar à família e à sociedade. Desde criança lido com animais no campo, cheguei aqui e temos esse espaço, essa oportunidade de lidar com as criações e com as crianças . A cada dia a gente aprende mais. Além de não ver o tempo passar, acredito que estou ajudando um pouco essas crianças, é muito gratificante”, relatou Gonçalves. Atualmente, 100 crianças têm aulas uma vez por semana. Eles saem da Apae em uma Kombi e chegam cedo à penitenciária. O projeto também está sendo ampliado e passou a atender idosos de Instituições de Longa Permanência (ILP) do município. Até agora, foram 12 participantes. Não parece um espaço, mas fica na Penitenciária Agrícola de Viana, no Espírito Santo Ricardo Medeiros/A Gazeta Johnny Camporez Brito é um menino de 6 anos que também foi diagnosticado com TEA. A mãe, Dete Camporez Brito, disse que quando o filho começou a equoterapia nem chegava perto dos animais, mas a realidade atual é diferente. “Hoje é só alegria. Ele não gostava de animais, não chegava perto dos cavalos sozinho. A equoterapia ajudou muito, de repente, Johnny desenvolveu seus movimentos e fala em pouco tempo de terapia. Meu filho é pura alegria, muito bom, muito tranquilo, mas ele precisa muito desse apoio e, graças a Deus, ele evoluiu bastante”, disse Dete. As mães contam que seus filhos anseiam pelas aulas de equoterapia e fazem as atividades sérias, brincando. Terapias disfarçadas de brincadeiras Para aplicar a terapia em cavalos, a fisioterapeuta Karolaine Rezende Alves usa de muito carinho e criatividade. Ela disse que cada paciente responde à terapia de maneiras diferentes. “A equoterapia pode fazer um trabalho biopsicossocial. Tanto as crianças quanto os idosos ativam seus aspectos físicos e motores. Desenvolvem a socialização, a identificação pessoal e psicológica, tudo a cavalo, ganham autoconfiança. subir nos animais e não fazer nada. Logo, eles querem andar sozinhos e não querem mais ajuda. A gente vê essa autoestima de ‘eu posso, eu consigo’”, disse a fisioterapeuta. Karolaine disse ao g1 que tenta aplicar uma terapia mais disfarçada e diversificada, diferentemente do que é feito em sala. A intenção não é tornar as atividades cansativas. E, por serem pacientes com necessidades especiais, ele conduz as atividades de uma forma que os faz pensar que estão brincando. A fisioterapeuta Karolaine Rezende Alves é responsável pelas atividades de equoterapia em um presídio do Espírito Santo Ricardo Medeiros/A Gazeta “Como fisioterapeuta eu já tinha esse amor, esse olhar para as crianças. Depois que comecei no projeto, me apaixonei ainda mais. Tudo o que podemos fazer com eles, você vê a evolução muito rapidamente. Me sinto completamente realizada na minha profissão”, disse emocionada. Segundo especialistas, ao se movimentar, o cavalo passa ondas vibratórias que o paciente tenta acompanhar, posicionando-se para buscar o equilíbrio e, com isso, fortalecer os músculos. Os movimentos feitos no cavalo são tridimensionais, semelhantes aos que as pessoas fazem ao caminhar. O corpo se move para frente e para trás, de um lado para o outro, para cima e para baixo. São deslocamentos triplanares do centro de gravidade do cavaleiro, que estimulam simultaneamente os sistemas vestibular, somatossensorial e visual, provocando ajustes posturais, orientação e aquisição de equilíbrio. Além do corpo, equoterapia faz bem à mente Neurologista fala sobre os benefícios da equoterapia O neurologista Thiago Gusmão explicou que, além dos benefícios para o corpo, a equoterapia contribui para o lado neurológico do paciente. O médico disse que a equoterapia utilizada no tratamento de pessoas, sejam crianças, adolescentes, adultos ou portadores do espectro do autismo, tem um papel importante porque melhora, por exemplo, funções relacionadas à sensibilidade. “Tocar no cavalo tem uma função tátil, auditiva, visual muito importante. Você não pode esquecer da sua própria percepção do cavalo, por exemplo. certamente melhora também a função emocional e psicossocial, reduzindo o nível de ansiedade, melhorando por vezes a empatia, o contacto com o cavalo, o zelo, o cuidado com os outros”, destacou Gusmão. Laysla fica muito feliz com equoterapia no cavalo Prometeu, dentro de presídio no Espírito Santo Ricardo Medeiros/A Gazeta VÍDEOS: tudo sobre o Espírito Santo Veja a última programação de notícias do g1 Espírito Santo
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