Plataforma de empresa suíça mostra São Paulo oscilando no topo do ranking das 120 ‘grandes cidades’. O mesmo site, porém, aponta Porto Velho (RO) como o município mais poluído do país. No mundo, outras cidades que não estão no Brasil são classificadas com a pior qualidade do ar. A fumaça persiste há mais de uma semana em Rio Branco. José Rodinei/Rede Amazônica A fumaça dos incêndios cobre cidades de todo o país há dias. Mas será que o Brasil tem a cidade mais poluída do mundo nesta segunda-feira (9) por causa disso? Segundo especialistas ouvidos pelo g1, apesar da poluição das últimas semanas, é muito difícil fazer uma afirmação tão categórica. Além disso, dados de plataformas especializadas mostram o contrário. Segundo a IQAir, empresa suíça de tecnologia de qualidade do ar, esta segunda-feira, a cidade de São Paulo oscila junto com Lahore, no Paquistão, no topo de um ranking que inclui apenas 120 “grandes cidades” em todo o mundo. Veja abaixo: Lahore, Paquistão — IQA = 169 São Paulo, Brasil — IQA = 160 Dubai, Emirados Árabes Unidos — IQA = 158 Adis Abeba, Etiópia — IQA = 154 Jacarta, Indonésia — IQA = 147 ENTENDA: O site IQAir utiliza uma escala de cores para medir o Índice de Qualidade do Ar (IQA): Bom (0-50), Moderado (51-100), Nocivo para alguns grupos (101-150), Nocivo (151-200) , Muito prejudicial (201-300) e Extremamente perigoso (301-500), com recomendações que vão desde atividades ao ar livre até evitar sair e ficar em casa de acordo com esses números. A lista da empresa acima, porém, NÃO inclui todas as cidades do planeta, apenas um seleto grupo de metrópoles. A título de comparação, atualmente, só o Brasil possui mais de 5.500 municípios. Em outra plataforma, desta vez da indiana Purelogic Labs, São Paulo, por exemplo, ocupava a 29ª posição no início da tarde desta segunda-feira. À frente do município aparecem cidades como: Al Qurayyat (Arábia Saudita), Rameswaram (Índia), Bam (Irã), Lo Miranda (Chile), Et Tira (Israel). A diferença acontece porque as plataformas, que NÃO são mantidas por órgãos oficiais, utilizam bases de dados diferentes. Além disso, Marco Aurélio de Menezes Franco, professor do departamento de Ciências Atmosféricas da USP, lembra que até a plataforma suíça aponta Porto Velho (RO) como o município mais poluído do país nesta segunda-feira, e não São Paulo (SP). ). Nessa mesma lista, antes de São Paulo, Rio Branco (AC) e Campinas (SP) também aparecem no topo do ranking no Brasil. Veja abaixo: Porto Velho, Rondônia — IQA = 233 Rio Branco, Acre — IQA = 202 Campinas, São Paulo — IQA =168 São Paulo, São Paulo — IQA =158 Manaus, Amazonas — IQA = 64 Recife , Pernambuco — IQA = 58 No mundo, outras cidades que não estão no Brasil também aparecem no ranking IQAir de pior qualidade do ar com índices superiores aos dos municípios do país. Veja abaixo: Great Falls, Montana (EUA) — IQA = 249 Kamiah, Idaho (EUA) — IQA = 247 Burns, Oregon (EUA) — IQA = 236 “Mesmo considerando, o mapa mostra São Paulo em vermelho, indicando alta poluição, mas regiões como Rondônia e parte da Bolívia aparecem em roxo, sugerindo poluição ainda maior”, destaca Fábio Luengo, meteorologista da Climatempo. Mapa de qualidade do ar IQAir. IQAir/Reprodução Não bastassem essas divergências, Marco Aurélio destaca que a rede de medição no Brasil é limitada e tem cobertura deficiente, o que resulta em estimativas e não em dados precisos para todas as cidades do país (entenda abaixo). “Fora isso, como esses valores variam de acordo com as condições atmosféricas locais, para determinar se uma cidade é a mais poluída do mundo seria necessário analisar a média dos índices ao longo de um período de tempo”, explica o professor . A Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo, avalia a qualidade do ar por meio de um banco de dados que compila medições anuais da concentração de poluentes como o dióxido de nitrogênio (NO2) e partículas de poeira (PM10 e PM2,5). LEMBRE-SE: A fumaça dos incêndios que cobriram cidades do Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul é composta por gases tóxicos, como monóxido de carbono (CO) e material particulado fino (PM2,5), ou seja, minúsculos partículas que estão suspensas no ar. Todos esses componentes são altamente prejudiciais à saúde e podem agravar doenças respiratórias. Esses dados representam concentrações médias para uma cidade ou região, e não estações individuais. As concentrações são calculadas em média para representar a exposição típica em uma cidade. A base de dados da OMS é atualizada a cada 2-3 anos e abrange mais de 7.000 locais em mais de 120 países. No entanto, a cobertura não está completa e varia devido aos diferentes métodos de medição e à disponibilidade de dados. Apenas 13 estados do país possuem estações automáticas. O que também dificulta esse cálculo é o fato de apenas 13 dos 26 estados do país possuírem estações automáticas de qualidade do ar, equipamento fundamental para avaliação da poluição atmosférica, segundo estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA). Segundo a publicação, a maioria das quase 250 estações de monitoramento automático do Brasil está na Região Sudeste (veja gráfico abaixo), e seus quatro estados lideram – de longe – o ranking em número de estações. No topo da lista está o Rio de Janeiro, com 65 estações de monitoramento automático, seguido por São Paulo, com 62, Minas Gerais, com 54, e Espírito Santo, com 17. “O primeiro problema de fazer um ranking de pior qualidade do ar é que as medições são diferentes em cada região O estado de São Paulo é um dos que tem maior número de postos do país – ainda muito baixo”, aponta Beatriz Klimec, doutora e mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto. de Medicina Social de São Paulo. UERJ. Segundo o estudo do IEMA, quando levados em consideração critérios técnicos, mesmo estados com redes mais robustas, como São Paulo e Minas Gerais, apresentam déficit significativo de estações. Isto acontece porque áreas com maior concentração de poluentes, alta densidade populacional e potenciais fontes de emissões (como o dióxido de carbono) requerem um monitoramento mais preciso. “São Paulo é um estado que tem outras variáveis de poluição ao longo do ano, então naturalmente há uma atenção maior dada a ele. O ranking produzido pelo site IQAir considera apenas 120 cidades no mundo, sendo São Paulo uma delas, o que cria um resultado tendencioso”, destaca o pesquisador. Como a União Europeia e os Estados Unidos possuem metodologias diferentes para avaliar esses números, no estudo do IEMA, os pesquisadores também compararam o cenário brasileiro com cada uma dessas tabelas e viram que, considerando os critérios americanos, Santa Catarina lidera a lista com déficit de seis estações, seguidos por Goiás, Paraíba e Minas Gerais, cada um com três estações a menos do que deveriam ter. Porém, quando adotado o critério europeu, Santa Catarina passa a ter um déficit de 15 estações, enquanto Minas Gerais registra um déficit de dez, e São Paulo, 22 (ver gráfico abaixo). Cálculo impossível Devido à falta de dados, Klimec afirma que não é possível dizer qual cidade tem a pior qualidade do ar do mundo. Ela lembra que a qualidade do ar é uma questão complexa e é calculada de diferentes formas por diferentes países e empresas privadas. “Sem dúvida, diferentes monitores estão relatando má qualidade do ar em todo o país, mas os rankings são contraproducentes porque a nossa cobertura de medição é terrível”, diz Para o pesquisador, a estratégia, porém, precisa focar em outro ponto: a necessidade urgente de agir em relação à qualidade do ar e à fumaça dos incêndios, mistura tóxica que, em geral, inclui os seguintes compostos: Material particulado (PM2,5): partículas muito pequenas presentes no ar poluído, como a causada pela fumaça dos incêndios. Monóxido de carbono (CO): gás liberado principalmente pela queima incompleta de materiais como madeira, carvão e combustíveis. Compostos Orgânicos Voláteis (COV): Durante um incêndio, os COV são liberados no ar e podem aumentar o risco de problemas respiratórios e outros problemas de saúde. Óxidos de nitrogênio (NOx) e ozônio: poluentes atmosféricos conhecidos. Os óxidos de nitrogênio (NOx) vêm de diversas fontes, como vulcões, raios, incêndios, bactérias, bem como carros e combustíveis. O ozônio é formado quando certos gases, como os provenientes de veículos e indústrias, reagem com a luz solar. Mas os incêndios também o libertam. Metais pesados: elementos químicos densos que podem ser tóxicos, mesmo em pequenas quantidades. A fumaça pode conter metais pesados como chumbo e mercúrio, que são nocivos quando inalados “A população precisa ser informada que se trata de uma situação de emergência extrema com a seriedade com que os incêndios são tratados em partes do mundo mais acostumadas a esta realidade”, pontuação. Recomendações do Ministério da Saúde O Ministério da Saúde publicou orientações para evitar a exposição à fumaça intensa causada pelas queimadas. Na publicação, a pasta recomenda as seguintes orientações à população: Aumentar a ingestão de água e líquidos ajuda a manter as membranas respiratórias úmidas e, portanto, mais protegidas. Reduza ao máximo o tempo de exposição, recomendando que fique em local fechado, em local ventilado, com ar condicionado ou purificadores de ar. Portas e janelas devem permanecer fechadas em horários com altas concentrações de partículas, para reduzir a penetração de poluição externa. Evite atividades físicas em horários de alta concentração de poluentes atmosféricos, e entre 12h e 16h, quando as concentrações de ozônio são mais altas. O uso de máscaras, panos, lenços ou bandanas do tipo “cirúrgico” pode reduzir a exposição a partículas grossas, principalmente para populações que moram próximas à fonte de emissão (lareiras) e, portanto, melhorar o desconforto nas vias aéreas superiores. Já o uso de máscaras respiratórias do tipo N95, PFF2 ou P100 é adequado para reduzir a inalação de partículas finas por toda a população. Crianças menores de 5 anos, idosos acima de 60 anos e gestantes devem prestar atenção redobrada às recomendações descritas acima para a população em geral. Além disso, devem estar atentos a sintomas respiratórios ou outros problemas de saúde e procurar atendimento médico o mais rápido possível, se necessário. “Para se proteger da fumaça de queimadas e incêndios, deve-se evitar exposição ao ambiente externo, inclusive atividade física. Recomenda-se o uso de máscara padrão N95, principalmente nos locais mais próximos da fumaça”, ressalta Pedro Genta, pneumologista do BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo. Fora isso, pessoas com problemas cardíacos, respiratórios, imunológicos, entre outros, também devem, segundo o Ministério da Saúde: Procurar atendimento médico para atualizar seu plano de tratamento. Mantenha à disposição medicamentos e itens prescritos pelo profissional médico em caso de crises agudas. Procure atendimento médico caso ocorram sintomas de crise. Avalie a necessidade e segurança de sair temporariamente da área impactada pela sazonalidade dos incêndios.
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