As agências de viagens brasileiras começaram a sugerir passeios e destinos alternativos às capitais europeias após relatos de superlotação e protestos de moradores contra turistas, como o que aconteceu em Barcelona no início do mês. Na ocasião, os manifestantes jogaram água e objetos nos visitantes. Alguns grupos realizaram ataques contra turistas. Vídeos mostram turistas sendo atacados com pistolas de água enquanto comiam em restaurantes.
Mas o clima hostil não se restringe à Espanha. A coordenadora administrativa Rosana Megale está visitando a Itália e relata que, por lá, a recepção aos turistas não é nada amigável.
“Vimos até uma placa na janela dizendo que não eram turistas, mas moradores. Depois em Florença estava bem mais lotado, mas nada aqui se compara a Roma. te atropelam de bicicleta, te olham feio, te tratam mal”, diz.
Para evitar transtornos, os agentes de viagens têm alertado sobre o excesso de turistas nas capitais mais procuradas nesta época do ano e recomendado destinos menos conhecidos na própria Europa, segundo o sócio da Sere Mares Turismos, Guilherme Ishikawa.
“O que mais temos visto é que nosso cliente aqui, no momento, está procurando muito mais resorts na Europa. Então estamos recomendando, sempre que possível, evitar esses lugares que são muito lotados, e as tarifas hoje em dia são muito altas. , lugares alternativos Então temos visto o surgimento de destinos que não são tão conhecidos no Brasil, como a Albânia, Malta, vários lugares, na Itália, como a Puglia e que hoje já contam com uma ótima experiência”, destaca. .
A tendência é confirmada pela Associação Brasileira de Agências de Viagens, Abav. Luiz Strauss é membro do conselho de administração da entidade e afirma que o desafio é superar situações desconfortáveis, sem deixar de oferecer a experiência desejada pelo viajante.
“Esse período pós-pandemia tornou todos os movimentos, todos os estilos, mais poderosos. As pessoas querem viajar independentemente do preço. Então isso realmente causou, às vezes, um gargalo muito grande. Com referência aos protestos contra turistas e afins, como uma viagem agente (a ideia) é poder potencializar melhores emoções e melhores experiências, então muitas coisas podem contornar proativamente algumas situações”, afirma.
Segundo a plataforma ForwardKeys, que é uma referência internacional em dados de turismo, a Europa deverá registar um aumento de 12% no número de visitantes nesta temporada, marcada pelo verão e pelas férias escolares. Nas redes sociais, viajantes relatam centros superlotados, com filas enormes em pontos turísticos e até em restaurantes. A reclamação dos moradores é o impacto disso no custo de vida cada vez mais elevado e na falta de transparência no repasse dos recursos obtidos com o turismo.
A psicóloga Fernanda Barroso mora em Barcelona e reclama do preço do aluguel. Especialistas afirmam que isso acontece porque milhares de imóveis são oferecidos aos turistas, reduzindo a oferta para quem procura um lugar para morar e aumentando o preço das casas e apartamentos disponíveis.
Além disso, Fernanda relata que há problemas como sujeira e barulho. Até conseguir uma reserva em um restaurante é difícil.
“Acabou gerando um movimento de muita gente saindo da cidade de Barcelona para outras cidades próximas para que você encontre algo compatível com o salário aqui na Espanha. poder ir a lugares da cidade. Então você precisa fazer reserva com bastante antecedência para ir ao restaurante ou comprar ingresso para um show com bastante antecedência”, explica.
O mesmo acontece em Lisboa, segundo a advogada Deborah Bergman, que vive na capital portuguesa.
“Aqui vejo gente um pouco cansada da cidade superlotada, da cidade mais suja. E você tenta andar nos centros, nas partes mais turísticas, e é impossível. Recentemente, no Bairro Alto, os moradores começaram a se manifestar contra o barulho. há agora vários sinais no Bairro Alto a pedir às pessoas que estejam mais atentas ao ruído, mas ainda é muito difícil”, afirma.
Turista diz que o Vaticano parece um shopping lotado na véspera de Natal
Este ano, o movimento começou a ficar mais intenso antes mesmo do início do verão. A cirurgiã-dentista Isabella Pizzatto foi à Itália em maio e já havia notado que as cidades estavam mais lotadas do que quando visitou o país, em julho de 2022.
“Fui em maio e, nossa, achei muito lotado. Mas é superlotado, mesmo andando na rua tem que tomar cuidado porque senão você esbarra ou bate em outras pessoas. No Museu do Vaticano, em Roma, meu Deus do céu, parecia que eu estava em um shopping no dia 24 de dezembro olhando as imagens, os desenhos, com tanta gente e fotos e celulares e tudo mais, sabe, estava muito, muito lotado. mundo, né, mas num volume muito, muito grande”, diz.
Para a professora e pesquisadora da área de turismo urbano da USP, Mariana Aldrigui, as redes sociais ajudaram a incentivar o turismo, mas agora, diante da superlotação, as cidades terão que rever estratégias.
“Há mais voos ligando a Ásia à Europa, muita presença nas redes sociais, o que naturalmente atrairá os jovens mais aventureiros. Mas este é o grande período em que todos estes países estão sem atividades escolares e já têm tradição de locomoção. procurar novos lugares Então o desafio agora é conseguir redistribuí-los sem criar barreiras que impeçam alguém de realizar o seu sonho, de visitar um determinado destino, de experimentar uma determinada cozinha, enfim. Isto é resultado de uma carência total. de compreensão do âmbito do turismo e que terá agora de ser revisto com muita colaboração de diversas áreas”, explica.
Medidas para conter o turismo incluem impostos e suspensão de licenças imobiliárias
Para tentar conter o turismo desenfreado, Veneza já começou a cobrar uma taxa de 5 euros aos visitantes.
A partir de Setembro, Lisboa duplicará as suas tarifas de alojamento. Com a alteração, o valor passará de 2 para 4 euros por hóspede por dia.
Amsterdã, na Holanda, proibiu a construção de novos hotéis, enquanto Barcelona promete suspender a licença de 10 mil imóveis para aluguel de curta duração até 2028. Além disso, a Câmara Municipal da cidade catalã pretende aumentar o valor da taxa turística a partir de outubro, e o conselho de turismo da cidade está substituindo o slogan “Visite Barcelona”, de 15 anos, por “Isso é Barcelona” em português. A mudança marca uma estratégia para atrair especificamente turistas interessados na história e cultura da cidade.
Na União Europeia, o turismo é responsável por cerca de 10% do Produto Interno Bruto. Segundo estimativas do bloco, o setor gera cerca de 12,3 milhões de empregos.
Saiba quais destinos turísticos são considerados hostis na Europa
Devido aos protestos contra os turistas, os jornais britânicos alertaram mesmo sobre “destinos turísticos hostis” a evitar no verão de 2024. Segundo os jornais, a lista inclui cidades que imploram aos britânicos para se afastarem neste verão.
Palma de Maiorca (Espanha)
A publicação explica que raramente passa uma semana sem algum tipo de manifestação antiturística.
Os jornais alertam que, embora a última manifestação com armas de água possa ser considerada um gesto inofensivo, é uma das primeiras vezes que turistas foram alvos físicos de manifestantes – em qualquer lugar.
Os jornais dizem que o sentimento antiturismo mais forte não vem apenas dos grupos de protesto, mas da própria prefeitura, que no ano passado lançou a campanha publicitária online “Stay Away” (em português, “Stay Away”), que tinha como alvo os britânicos. procurando festas de despedida de solteiro ou fins de semana de festa.
Está na lista como a cidade que deu o passo inédito de cobrar 5 euros aos excursionistas.
A cidade tomou medidas contra o comportamento dos turistas após um aumento na agitação no verão passado. Os jornais avançam que, durante a visita, os turistas poderão ver cartazes alertando para multas de 300 euros por urinar em espaços públicos, escalar monumentos ou dormir em espaços públicos. O vómito em espaços públicos pode custar 150 euros. A cidade também contratou uma empresa de segurança privada para patrulhar as ruas entre 22h e 4h.
Tenerife (Ilhas Canárias)
Há pichações rabiscadas nas laterais dos prédios com frases como “Seu paraíso, nosso inferno” e “Turistas vão para casa”.
Segundo os jornais, para já, a hostilidade contra o turismo continua a ser dirigida às autoridades e não aos próprios turistas. Os produtores de vinho, por exemplo, reclamam da perda de terras para novos hotéis.
A lista também inclui destinos hostis, mas em menor escala, como Capri (Itália), Provença (França) e Corfu (Grécia).
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