Fernanda Rosito, 46 anos, publicou ‘Suco da Mamãe’ para explicar seu tratamento Foi logo após ter o primeiro filho que a autora e palestrante Fernanda Rosito, 46 anos, descobriu o diagnóstico de câncer de mama. Jovem, de 39 anos, a chegada da doença foi um duro golpe para a família que acabava de ampliar (o marido, Luciano, já tinha outro filho, Samuel, que faz parte da rotina do casal). Após o primeiro tumor, também foram identificados outros pontos de doença nos ossos e no fígado. Com o tratamento, a doença entrou em remissão, mas Fernanda ainda faz quimioterapia para completar os ciclos de aplicação. Em meio às dificuldades dos cuidados de saúde, Fernanda viu o filho crescer, exigindo sua presença e energia — às vezes abalada pelos efeitos colaterais dos medicamentos. Ao saber que o menino, hoje com 8 anos, achava que ela era preguiçosa por não ter energia para acompanhá-lo, Fernanda resolveu agir: escreveu um livro em que um garotinho, que representa a história de seu filho, descobre que sua mãe tinha câncer. Lá, conceitos difíceis são simplificados para que a mensagem chegue a meninos e meninas sem assustá-los. O tumor vira uma bolinha e a quimioterapia vira um “açúcar”. A história, intitulada “Suco da mamãe” (Editora Giostri Cultural) ajudou a unir mãe e filho, que ficaram mais unidos com a publicação. “Eu me libertei”, diz Fernanda. Veja os principais trechos da entrevista. Como estava sua condição de câncer? Fui diagnosticado com câncer de mama em 2018, quando meu filho Enzo tinha 1 ano e 8 meses. Foi o período mais difícil, com a quimioterapia mais forte, perdi cabelo, sobrancelha e cílios, tudo. Desde então já tive outros sete surtos, sendo 2022 de recidiva, que é quando o câncer volta para o mesmo local, no meu caso nas mamas. Esse ponto foi crucial, pois foi quando tive medo que não resisti. Mas esse pensamento durou apenas um dia. Fiz um movimento para resgatar minha fé, minha espiritualidade. Recebi uma mensagem de Deus de que deveria escrever um livro para meu filho. Foi uma inspiração? Sim, alguns dias antes o Enzo tinha dito que eu estava com preguiça porque só queria dormir e não queria brincar com ele. Afinal, estou fazendo quimioterapia há muito tempo e isso me deixa muito cansado e sonolento. Quando ele disse isso, senti que não era justo com nenhum de nós que ele passasse por esse sentimento. O que você fez naquele momento? Eu não disse nada. Foi exatamente isso que ele viu, certo? Às vezes ele saía com o pai para a praia ou algo assim e eu dizia: “não vou, estou cansado”. Para uma criança de 6 anos, essa imagem (de que era preguiçosa) é o que ela realmente teria. Que história você queria contar ao Enzo? Ele é o narrador do livro, na verdade. Na história ele interpreta um personagem que descobre que sua mãe está com câncer. Trago isso de forma lúdica. E as ilustrações são inspiradas em fotos da nossa família. Faço uma analogia com o tumor, digo que é uma “bolinha”. Queria explicar tudo porque quando a gente não sabe alguma coisa, não entende, fica com medo. Não podemos ter medo de falar sobre o câncer porque a doença está aí e pode acontecer com qualquer um de nós. Penso agora que podemos e devemos falar sobre o cancro com as crianças, de uma forma que elas possam compreender. Como foi lidar com as dificuldades dos primeiros anos da maternidade e do tratamento do câncer? Todos nós temos uma força que só descobrimos quando precisamos ativá-la. Quando descobri meu câncer, meu marido sempre dizia “Não pense bobagem”. E eu respondi: “Não vou pensar, não vou morrer”. Vocês não imaginam quanta força meu filho me deu, por isso ele é o narrador da história do livro. E, por ser uma publicação infantil, achei que seria legal usar os sentimentos dele e falar com outra criança na língua dela. Quando escrevi, sabia quais eram suas percepções. E quando leu o livro, achou a história realista. E eu disse a ele: “Sim, filho, somos nós”. Agora falo para ele que vou fazer “o suco” durante a quimio e ele entende. Qual é o maior medo da criança nesta situação? Eles têm medo, é claro, de ficar sem mãe. E às vezes a gente esconde (o diagnóstico) para protegê-los, não para deixá-los inseguros. Na verdade, temos medo que eles tenham medo de nos perder. Outro assunto que ouço muito as mães falarem é como lidar com a queda de cabelo, como comunicar essa mudança. O livro ajuda a contar a história, até conheço um caso de uma mãe que fez uma cirurgia, que nem tinha relação com câncer, e ela usou o livro. Mas existe um limbo relacionado à idade, quando comecei o tratamento ele tinha apenas 1 ano e 8 meses e realmente não entendia, mas aos 4, 5 ou 6 anos é possível sentar e conversar um pouco mais. A publicação do livro mudou seu relacionamento com seu filho? Foi um momento divisor de águas. Não minto mais sobre onde estou, quando faço quimioterapia, não minto mais sobre como me sinto. Antes eu precisava dizer que não estava me sentindo bem porque tinha comido algo que não estava gostoso. E ele queria saber detalhes, e eu tive que mentir mais. As crianças entendem o que veem e o que ouvem, por isso era importante poder falar. Acho que o livro fez mais bem a mim do que a ele. Foi libertador.
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