O Lecarfutura fabricante brasileira de veículos elétricos e híbridos, ganhou destaque após o anúncio da construção de sua fábrica para produzir o Lécar 459um carro híbrido que promete autonomia de 100 quilômetros em modo elétrico. Porém, a divulgação levantou uma série de questionamentos sobre a marca.
A Lecar, que existe há apenas dois anos, teve como primeiro projeto um veículo puramente elétrico anunciado em dezembro de 2023, que seria produzido e introduzido no mercado nacional em dezembro de 2024.
A empresa, porém, informou em junho deste ano que o Lecar 459 foi revisado para uma plataforma de propulsão híbrida. O veículo só começará a ser produzido após a conclusão da fábrica, o que, segundo a empresa, deve acontecer no segundo semestre de 2026.
Mesmo assim, o carro já está disponível para pré-reserva no site, o que pode ser feito mediante pagamento de uma caução. R$ 1.300. Segundo Lecar, o preço final do modelo será R$ 150 mil.
A construção da fábrica de Lecar, anunciada nesta quinta-feira (22), terá custo projetado de R$ 870 milhões. Ficará localizado em Sooretama, no Espírito Santo, a aproximadamente 100 km da capital do estado, Vitória.
Em entrevista com Valoro empresário Flávio Figueiredo de Assis, que se autodenomina o “Elon Musk brasileiro”, referência ao bilionário e maior acionista da Tesladisse que a fábrica deverá produzir 120 mil carros por ano, mas que a empresa terá liberdade para adaptar sua produção.
A título de comparação, o investimento inicial do BYD — segunda maior produtora de carros elétricos do mundo — na fábrica de Camaçari, na Bahia, valia R$ 3 bilhões, com capacidade para produzir 150 mil veículos por ano.
A Lecar será construída em um terreno de 460 mil m². Segundo a Prefeitura de Sooretama, a Lecar terá uma série de isenções fiscais para a construção da fábrica, como redução da alíquota do Imposto sobre Serviços (ISS) para 2% e isenção do Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana (IPTU) para um período de 10 anos.
Um dos pontos de questionamento sobre a viabilidade financeira do projeto Lecar são as parcerias anunciadas.
Em seu site, a empresa afirma ter fechado acordos para a produção do Lecar 459 com WEG, ArcelorMittal, Poder Hepu e cavalo. Questionado por Valorapenas a Hepu disse que já tem contrato assinado com a Lecar.
WEG disse ao Valor que a empresa ainda está negociando o contrato e não pode fornecer mais detalhes devido a um acordo de confidencialidade. O mesmo foi dito pela Horse, joint venture entre Renault e Geely, que informou que o contrato ainda não foi assinado.
Assis confirmou ainda que a Lecar e as empresas ainda não têm contratos assinados, apesar de já terem sido anunciados no site. Por outro lado, o empresário informou que já foram aceitas propostas de fornecimento entre as partes.
A ArcelorMittal, por sua vez, não respondeu à Valor caso a empresa já tenha contrato assinado com a Lecar.
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A fábrica de Lecar, segundo a empresa, tem investimento projetado de R$ 870 milhões, dos quais R$ 240 milhões serão destinados a obras de instalação e R$ 630 milhões à automação da linha de montagem.
Apenas Assis está listado como investidor na empresa até o momento, segundo a empresa. Desde a criação do escritório, em 2022, o empresário contribuiu com 100% do capital investido no negócio.
Questionado se os potenciais consumidores deveriam se preocupar com a falta de investidores, Assis disse que “essas questões não são motivo de preocupação para os consumidores, tanto pela demanda pelo produto quanto pela nossa capacidade de ajustar a produção de veículos”.
Em relação à construção da fábrica, Assis pretende investir até 25% do valor total através de capital próprio, deixando os 75% restantes para futuros sócios. A empresa disse ainda que possui vários interessados em se tornarem sócios e investidores no negócio, mas que não soube informar quem são.
Além de novos parceiros e investidores para o negócio, a Lecar ainda busca financiamento.
Em resposta a ValorA Lecar disse que já consultou instituições financeiras como Sudene, BNP, Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Questionado por ValorSudene disse que, até o momento, não há registro das reivindicações de Lecar na instituição, nem junto ao Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE).
O BNDES, por sua vez, afirmou que não comenta consultas e projetos que ainda não foram aprovados. As demais instituições não responderam até a publicação deste relatório. O espaço permanece aberto.
Pré-reserva do veículo
O Valor questionaram Assis e Lecar sobre as garantias para o consumidor que fizer a pré-reserva do veículo para recebê-lo em dia ou, pelo menos, recuperar os R$ 1.300,00 pagos para entrar na fila de espera.
“Se a pessoa, por um motivo justo, como uma mudança de tecnologia, decidir que não quer mais o carro, nós devolveremos o dinheiro. Mas, se ela simplesmente não quiser mais, então não tem como. Mas ainda não temos condições de prazo publicadas sobre isso, ainda está em produção”, afirma.
Lecar disse ainda que o momento da empresa é bem diferente daquele visto em 2023, quando a empresa anunciou o veículo elétrico que seria produzido até dezembro deste ano, sendo posteriormente adiado para o final de 2026. Segundo a empresa, a fábrica já começará a ser construído este ano e já existe um plano para produzir os veículos.
*Estagiário sob supervisão de Diogo Max
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