Durante uma visita ao Mercado Ver-o-Peso, em Belém do Pará, um dos mais antigos do Brasil, é impossível não refletir sobre como as práticas comerciais evoluíram ao longo dos séculos. Tradicionalmente, “ver o peso” das mercadorias era um método simples de determinar o valor e calcular os impostos devidos. Esta prática simples, no entanto, contrasta com o desafio que as organizações modernas enfrentam quando tentam determinar o valor dos dados.
Ao contrário do ato tangível de pesar ativos físicos, avaliar dados num ambiente corporativo é uma tarefa complexa, refletindo a complexidade e a dinâmica do cenário empresarial contemporâneo, especialmente no setor financeiro, onde os dados constituem a espinha dorsal das operações, decisões de crédito e investimento, estratégias de mitigação de riscos e processos de conformidade regulatória.
A diversidade e o volume de dados no sector financeiro – incluindo transacções financeiras, indicadores económicos, relatórios de análise de mercado, comportamento do consumidor e fluxos de redes sociais – exigem uma abordagem sofisticada à sua gestão. Cada tipo de dados oferece uma lente única através da qual as instituições financeiras podem prever tendências, avaliar o desempenho do mercado e adaptar as suas estratégias.
No entanto, o valor destes dados é significativamente influenciado pela sua qualidade, atualidade e aplicabilidade. Os dados financeiros exigem um elevado grau de precisão e integridade, pois decisões baseadas em informações imprecisas podem resultar em perdas financeiras e danos à reputação. A capacidade de integrar e analisar dados de múltiplas fontes em tempo real, ou quase em tempo real, torna-se um diferencial competitivo, exigindo investimentos substanciais em tecnologia e análise de dados.
Os desafios de gestão e extração de valor dos dados no setor financeiro são diversos. A precisão e a relevância dos dados, conforme mencionado, são fundamentais, mas há também a complexidade adicional trazida pela necessidade de conformidade regulamentar. As leis e regulamentos de privacidade de dados, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), impõem requisitos rigorosos sobre como os dados podem ser coletados, processados e armazenados.
Além disso, a velocidade com que o mercado financeiro opera hoje exige que as instituições financeiras não apenas recolham e analisem grandes volumes de dados em tempo real, mas também respondam de forma dinâmica a esta informação. A adoção de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial e a aprendizagem automática, oferece novas oportunidades para melhorar a análise e a segurança dos dados, embora também apresente desafios em termos de complexidade técnica e adaptação organizacional.
É claro que, no sector financeiro, “ver o peso” dos dados vai muito além da simples medição. Envolve análise cuidadosa e gerenciamento estratégico de dados para extrair insights valiosos que podem informar decisões críticas de negócios, estratégias de investimento e práticas de conformidade regulatória. As instituições financeiras que conseguem navegar com sucesso neste complexo cenário de dados estão melhor posicionadas para se adaptarem às mudanças do mercado, inovarem produtos e serviços financeiros e satisfazerem as expectativas dos clientes e regulamentares.
Portanto, a jornada das instituições financeiras para a era da informação envolve tanto a gestão dos desafios inerentes aos dados como o aproveitamento das oportunidades que estes oferecem. À medida que a indústria avança, a capacidade de interpretar e agir corretamente com base nos dados não será apenas uma vantagem competitiva, mas uma necessidade absoluta para a sobrevivência e o sucesso no mercado financeiro.
Rogério Melfi é head da Comunidade Fintechs da ABFintechs
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