Nos últimos meses houve um crescimento significativo nos investimentos de pessoas físicas em instrumentos de renda fixa vinculados a dívidas corporativas.
Um exemplo é o aumento do número de investidores em fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC). Segundo relatório da Anbima, que representa as instituições que atuam nos mercados financeiro e de capitais, o número de cotistas pessoas físicas em FIDCs cresceu 70% desde dezembro do ano passado, atingindo 37,8 mil investidores.
Outro sinal relevante é o aumento de gestores de recursos independentes, não vinculados a grandes conglomerados financeiros, que atualmente administram fundos de crédito privados. Até recentemente, essas casas focavam na gestão de fundos multimercados, com posições direcionais em ativos de alta liquidez, como juros, bolsa e câmbio.
Com o aumento das taxas de juros, a queda dos mercados de ações e a volatilidade das taxas de câmbio, são poucos os fundos multimercados que conseguem ter um bom desempenho.
A consequência foi a fuga dos acionistas dos recursos da categoria e o interesse em alternativas de crédito privado. Um efeito visível foi o crescimento significativo de fundos organizados como multimercados, mas que, na prática, investem apenas em títulos de crédito privado. Isto é feito para dar maior flexibilidade às políticas de investimento dos gestores, mas causa confusão na medição da dimensão real do mercado.
O entusiasmo das pessoas físicas pelo mercado de crédito privado, por sua vez, é justificado pelo atual ambiente econômico, que tem afastado os investidores da renda variável. A alternativa para tentar ganhar mais do que a taxa básica de juros tem sido os títulos emitidos pelas empresas.
Investir diretamente em títulos corporativos, porém, é uma tarefa trabalhosa.
É necessário avaliar a capacidade de pagamento da dívida da empresa emissora, o que envolve uma análise detalhada dos negócios da empresa.
Além disso, a diversificação da carteira de crédito é essencial para diluir os riscos. Quanto maior o número de ações, menor o risco de que a perda por eventual inadimplência de uma empresa afete excessivamente a rentabilidade da carteira como um todo.
Por isso, investir em títulos de crédito privado por meio de fundos de investimento é uma forma eficiente para pessoas físicas. E justifica o aumento do número de gestores atuando nesse segmento.
Riscos da falta de transparência
Porém, por se tratar de um mercado com menor liquidez e menor transparência empresarial, as políticas de alocação de recursos adotadas pelos gestores precisam ser especificadas de forma eficaz. É uma forma de evitar conflitos de interesse.
Por exemplo, considere uma situação em que o gestor compra títulos privados oferecidos através de uma emissão pública. É necessário garantir que não haja conflitos entre as decisões do gestor do fundo e os interesses da instituição que coordena a emissão.
Numa possível situação, a instituição financeira coordenadora da emissão poderia ter algum relacionamento societário ou comercial com o gestor dos recursos. As políticas do gestor devem ser explícitas sobre como situações desse tipo são enfrentadas.
Em outras situações, um gestor de recursos pode ter sua própria área de estruturação de operações. Representantes da gestora entram em contato com empresas interessadas em captar recursos. E os títulos emitidos são alocados na carteira de fundos do gestor.
Nestas situações podem surgir vários conflitos.
Por exemplo, considere que determinada operação de crédito é estruturada de forma que o emissor pague uma taxa de remuneração adicional caso o negócio financiado atinja determinados parâmetros.
Agora, imagine que esse título, depois de emitido, seja transferido para a carteira de um FIDC, aberto ao público em geral, com cotas seniores e subordinadas. Os seniores têm prioridade no recebimento dos pagamentos em caso de inadimplência da carteira e os subordinados assumem eventuais perdas.
Uma possível estrutura para esse hipotético FIDC é que os acionistas seniores mantenham a rentabilidade sem o prêmio adicional do empréstimo estruturado. E quem tem cotas subordinadas fica com todo esse ganho adicional.
Nessa situação, a transparência nos critérios de alocação entre acionistas seniores e subordinados do FIDC é essencial para evitar conflitos de interesses.
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