As políticas perenes do Estado dependem do fortalecimento das instituições, da mobilização social, da capacidade de comunicação e da base científica para obter resultados sólidos, segundo especialistas presentes no painel “Desenvolvimento sustentável e o papel do Estado”, durante o terceiro dia do evento paralelo ao G20 “Estados do Futuro”, no Rio.
Ó secretário executivo adjunto do Ministério da Fazenda, Rafael Dubeuxobservou que não há como garantir a durabilidade das medidas com alternância de governos, mas que é possível criar formas de fortalecê-las.
“A durabilidade das medidas depende da construção e do envolvimento social. Mesmo com o revés que vivemos no último governo, a situação poderia ter sido pior se não fosse a pressão e o engajamento popular em defesa das políticas. Por exemplo, durante muito tempo se falou que o Bolsa Família iria acabar com o passar dos anos, mas permaneceu”, disse.
A ex-vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), Thelma Krugacrescentou que as políticas de Estado não são estáticas e destacou que a sua perpetuidade está relacionada com a sua base em evidências.
“Precisamos de comunicação sobre as razões pelas quais as políticas precisariam ser modificadas ou mantidas. O conhecimento e a ciência são fundamentais, é isso que vai levar o país adiante e alavancar todas as políticas em todos os setores”, afirmou Krug.
Ainda no evento, o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (MMA), João Paulo Capobiancoenfatizou a importância das instituições para garantir a estabilidade política, económica e ambiental.
“Precisamos fortalecer as instituições e nosso atual governo tem um compromisso radical nesse sentido. Além disso, garantir que o Estado democrático garanta a participação social na formulação de políticas públicas é outro eixo central que foi desfeito há alguns anos”, apontou Capobianco.
A Líder Global para Finanças Sustentáveis no Banco Mundial, Svetlana Klimenko, acrescentou que as políticas públicas devem ser viáveis e viáveis, áreas nas quais o financiamento precisa ser incluído. Ainda segundo ela, a comunicação também é um ponto fundamental. “A maneira como você apresenta o que deseja fazer definirá o seu sucesso.”
Letícia Leobet, assessora internacional do Geledés, do Instituto da Mulher Negraenfatizou também que é necessário ter investimentos que cumpram um “estatuto de igualdade”, que teria que ser orientado para políticas de Estado e não para políticas governamentais.
Krug, antigo IPPC, também observou que o combate às alterações climáticas é imperativo e exige um esforço global. Segundo ela, em 2019, o IPCC anunciou que o mundo estava esquentando 1,1ºC acima do período pré-industrial e hoje esse número já subiu para 1,3ºC. A este ritmo, a meta do Acordo de Paris de evitar o aquecimento da Terra em 1,5ºC está perto de ser ultrapassada.
“O difícil é que este aquecimento não é distribuído uniformemente e não é possível parar o aquecimento global da noite para o dia. Não faz sentido que os países em desenvolvimento façam um esforço para reduzir as emissões se não forem os maiores emissores históricos. Não somos grandes emissores devido à nossa matriz elétrica, se conseguirmos frear o desmatamento o Brasil terá emissões muito pequenas”, destacou Krug.
Na mesma linha, Capobianco, do MMA, lembrou que o presidente Lula assumiu o compromisso público de atingir o desmatamento zero até 2030 e que o governo trabalha para, pelo menos, “deixar um legado até 2026” — ano em que o atual mandato termina a eleição presidencial.
Destacou também que é necessária a criação de uma plataforma para coibir a criminalidade ambiental e mecanismos para promover uma agricultura mais sustentável. “O Plano Safra traz novas condições. Se quisermos taxas de juro diferenciadas, temos de avançar para uma agricultura de baixo carbono, uma agricultura regenerativa. Caso contrário, você obtém a taxa de juros mais cara no plano de colheita convencional.”
O secretário adjunto da Fazenda, Dubeux, acrescentou que é preciso mudar o modelo de desenvolvimento do Brasil. “Desde a chegada dos portugueses, o país teve um modelo extractivo, de destruição da natureza, com baixo valor acrescentado e com enormes e obscenas desigualdades ao longo de todo este período”, disse.
Para ele, o país precisa avançar seus objetivos em direção a um modelo que promova ganhos de produtividade, incentivando a Ciência, a Tecnologia e a Inovação, uma relação mais respeitosa com o meio ambiente e um modelo de crescimento que não concentre renda, mas que promova ganhos de forma justa.
Em relação à mitigação dos impactos climáticos, Svetlana Klimenko, do Banco Mundial, destacou que cada Estado precisa abordar a questão de forma diferente. “Quando se trata de finanças, não existe solução mágica. Você precisa olhar para o seu país e identificar oportunidades para crescer e contribuir para os objetivos globais. A partir disso você seleciona seus projetos”, comentou.
De acordo com Per Fredrik Pharo, Diretor de Clima e Meio Ambiente da Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (Norad)o que atraiu a Noruega no modelo do Fundo Amazônia foi o desenho do próprio fundo.
“O Brasil tem demonstrado vontade de combater o desmatamento, que começou no governo Lula 1 por meio de ações regulatórias. Também foi estabelecida a regra de que se o Brasil apresentasse os resultados do Fundo Amazônia, seriam aportados mais recursos. Há também o papel da tecnologia. Acho que a combinação de sensoriamento remoto e digitalização do processamento de dados cria oportunidades extraordinárias e o Brasil revolucionou isso”, disse Faro.
Acrescentou que o interesse da Noruega em contribuir para o fundo começa com o entendimento de que a natureza é um bem público. “Os bens públicos precisam de ser valorizados através de ações públicas e só os Estados podem fazer isso, é uma questão tanto de soberania como de eficácia”.
consignado para servidor público
empréstimo pessoal banco pan
simulador emprestimo aposentado caixa
renovação emprestimo consignado
empréstimo com desconto em folha para assalariado
banco itau emprestimo