Depois de semanas enfrentando uma onda de solicitações e cobranças, Joe BidenO Presidente dos Estados Unidos finalmente cedeu à pressão e desistiu da sua candidatura à reeleição pelo Partido Democrata.
Foi realmente muito difícil para ele. Desde a sua atuação desastrosa no debate com Donald Trump em 27 de junho, a imprensa começou; seguido por doadores de campanha; e, finalmente, líderes partidários; eles vinham se manifestando publicamente, ou não, a favor de sua abdicação.
Como esperado, no domingo, 27 de julho, A imprensa e os sites de notícias já especulavam sobre quem será o novo candidato do Partido Democrata, as implicações para o rumo da disputa eleitoral, os efeitos no mercado financeiro. Em particular, nos preços dos ativos e nos investimentos.
Por obrigação do cargo, li tudo o que pude sobre o assunto. Muitas coisas se repetem, outras se complementam e algumas se contradizem. O exercício é ignorar redundânciapreste atenção ao resto, identifique os argumentos mais sólidos e forme uma opinião.
Na segunda-feira (22), logo pela manhã, comecei o dia com mensagens de alguns dos meus amigos e alunos mais próximos, perguntando sobre o que os impactos na economia, nos investimentos e, a inevitável questão, o que devem fazer.
É incrível como, diante de uma ameaça ou de algo que se apresenta como tal, temos o impulso de agir. É como se alguém ouvisse, bem perto, um rugido no meio de uma floresta e começasse a correr em busca de proteção. Pode ser a melhor coisa a fazer, mas muitas vezes a melhor decisão é ficar quieto e fingir-se de morto.
Nestes momentos, como as eleições americanas, em que parecemos estar perante um acontecimento perturbador ou algo semelhante, a ansiedade tende a dominar. A vontade de obter cada vez mais informação que nos permita tomar a melhor decisão é inevitável. Daí a busca incessante e o estresse resultante.
Num processo de tomada de decisão procuramos instintivamente conforto cognitivo, reduzir a ansiedade e apreensão e ter mais informação é sinónimo de segurança que pode reduzir esse desconforto. Pelo menos é nisso que queremos acreditar.
Alguns acadêmicos da área de economia comportamental tendem a estudar o efeito da quantidade de informação na precisão das estimativas e no aumento da confiança.
Um estudo clássico, realizado na década de 70 por Paulo Slovic, encontraram evidências de que mais informação aumenta a confiança daqueles que fazem as projeções, mas não melhora a sua precisão.
Em pesquisa realizada com apostadores regulares de corridas de cavalos, foram identificadas inicialmente 88 variáveis que poderiam explicar o desempenho dos animais nas competições. Em seguida, tiveram que classificá-los de acordo com a sua relevância para as projeções. Eles receberam então dados de 45 corridas e foram solicitados a indicar quais teriam sido os 5 primeiros colocados em cada corrida.
Detalhe relevante: os prognósticos foram feitos em rodadas em que os apostadores indicavam seus favoritos. A cada rodada eles recebiam mais incrementos de informações, algo como 5 na primeira, mais 10 na segunda, mais 20 na terceira e mais 40 na última. Em cada rodada, além da lista de favoritos, precisavam indicar seu nível de confiança nas estimativas.
O resultado é que o nível de precisão foi maior com cinco informações do que com quarenta. Generalizando, ter mais informação não melhorou a capacidade de previsão, pelo contrário. Por outro lado, os apostadores sentiam-se mais confiantes a cada rodada, pois tinham mais informações.
Não pense que isso não acontece entre os analistas financeiros. Em artigo publicado por Davis, Loshe e Kotteman (1994) encontrou um resultado semelhante. Ou seja, à medida que recebiam mais informações sobre um conjunto de empresas, as suas previsões perdiam precisão enquanto se sentiam mais confiantes.
A saída de Biden da corrida presidencial, neste momento, parece aumentar as chances dos democratas nas eleições. Mas o quadro ainda é favorável a Donald Trump.
Em qualquer situação, não haverá grandes surpresasos programas tanto dos Democratas como dos Republicanos são razoavelmente conhecidos e não se deve esperar nada de muito diferente do que já sabemos.
Absorver cada vez mais informações certamente produzirá cansaço e dificilmente melhorará suas previsões. Em relação aos Estados Unidos, não há nada no horizonte que nos leve a considerar uma mudança disruptiva de cenário.
Como ensina Paulinho da Viola na música Argumento, “Faça como um velho marinheiro, que leva o barco devagar no meio da neblina”.
Hudson Bessa Economista e sócio da Escola de Negócios HB
hudson@hbescoladenegocios.com
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