Os gestores brasileiros que adotaram cautela com os ativos domésticos devido à incerteza fiscal e monetária ganharam com as apostas pessimistas no mês passado e mantiveram o mesmo mantra em julho.
Os fundos de casas como a JGP Asset Management e a Verde Asset Management foram impulsionados por posições contra activos locais, pela subida das taxas de juro futuras e do dólar em Junho.
Verde, de Luis Stuhlberger, ainda vê a desvalorização da moeda brasileira, além de apostar no aumento da inflação implícita. A Vinland Capital mantém suas principais alocações no exterior, enquanto a Bahia Asset não tem apostas direcionais no mercado interno.
Os mercados locais sofreram pesadas perdas em Junho, provocadas por declarações do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva que sugeriam a relutância do governo em controlar o défice primário. As críticas de Lula ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, somaram-se à piora da percepção do risco fiscal e alimentaram a volatilidade. O clima melhorou com o recente anúncio de cortes de gastos do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
“Sem uma resposta concreta do governo às pressões fiscais, e em meio a ventos externos potencialmente mais turbulentos, temos dificuldade de ver como essa história termina bem”, disse a Ibiuna Investimentos, em carta mensal à administração.
O risco de o BC ter que apertar a taxa Selic com a deterioração do câmbio também começou a aparecer no radar dos gestores. A ACE Capital avalia que os modelos do BC indicariam que uma taxa básica de juros estável no patamar atual não seria suficiente para devolver a inflação à meta, num cenário com dólar no patamar de R$ 5,70 e nova piora das expectativas inflacionárias. O aperto no mercado de trabalho também aumenta a chance de um aumento nas taxas de juros, disse Kapitalo.
O índice de fundos hedge da Anbima, conhecido como IHFA, que capta o desempenho de uma cesta de fundos multimercados, apresentou alta de 0,76% em junho, um pouco abaixo da referência do CDI de 0,79%.
Veja o que os gestores escreveram em suas cartas mensais:
A questão fiscal é o “principal motivo” da deterioração dos mercados e do aumento do prêmio de risco no Brasil, diz JGP. Para o gestor, ainda não foi oferecido pelo governo um plano confiável de corte de gastos “que leve o mercado a uma redução consistente do prêmio de risco”.
A combinação de uma posição fiscal frágil com “ruído político” tornou-se “explosiva” em junho, segundo Verde. O fundo manteve uma posição longa nas taxas de juro reais nos EUA.
A inacção do governo central poderá aumentar a necessidade e a severidade dos ajustamentos fiscais no futuro. A Absolute tem proteção contra compra do dólar frente ao real e está comprada em ações locais. A aposta na valorização da bolsa americana continua sendo a principal posição do fundo.
Absoluto Vertex FIC +1,7% em junho
A gestora ampliou a posição que se beneficia da queda das taxas de juros reais, que antes haviam sido reduzidas, ao adicionar uma posição comprada em NTN-B de curto prazo. O fundo passou a adotar uma posição de alta do dólar frente ao real como “hedge”.
Ace Capital FIC FIM -0,8% em junho
Adam diz que, num cenário global de forte expansão fiscal, mantém posições que ganham com a valorização do ouro e em ativos reais como a bolsa americana. Também tem posições que beneficiam do aumento das taxas de juro em alguns países, sem dizer quais.
A Bahia mantém posições no sentido de aumentar a inclinação — maior diferencial entre taxas de longo prazo e de curto prazo — da curva de juros real no Brasil. Ele vê o mercado de trabalho surpreendendo com a queda do desemprego e o crescimento robusto da massa salarial.
Gênova disse que não aposta no câmbio interno e que está ligeiramente posicionada nas taxas de juros nominais e na inflação local. Com a taxa de câmbio no patamar atual, a projeção de inflação do BC deverá ficar acima da meta de 3% no horizonte relevante, tanto no cenário básico quanto no cenário alternativo, o que deverá suscitar uma discussão sobre elevação dos juros.
Radar Gênova Capital FIC FIM +0,8%
Ibiuna detém posições investidas em juros reais em renda fixa local e manteve posição vendida em real.
Ibiúna Hedge STH FIC -0,25%
O fundo aumentou as posições investidas em taxas de juro nos EUA e na zona euro e fechou apostas longas na inflação americana e apostas curtas na inflação europeia. Kapitalo também impulsionou a posição comprada no peso mexicano.
A Legacy retomou sua posição sobre as taxas de juros nos EUA em um “ambiente de desaceleração da atividade e da inflação”. O fundo permanece comprado em carteiras de câmbio local e estrangeiro, vendo os preços das ações nacionais “amplamente descontados”.
A Vinland continua a apostar no aumento da inclinação da curva na Europa, que beneficia do aumento do diferencial entre as taxas de prazo mais longo e mais curto. Nas moedas, é comprado em dólares contra o iene e contra a lira turca. Continua com uma posição pessimista no mercado acionário brasileiro.
Vinland Macro Plus FIC FIM -0,8%
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