Especialistas explicam a relação entre temperatura e infarto e AVC e ensinam os cuidados necessários durante o resfriado Você sabia que a temperatura e a incidência de doenças cardiovasculares estão relacionadas? Segundo o Instituto Nacional de Cardiologia, durante o inverno, os casos de infarto agudo do miocárdio aumentam em até 30% e os casos de acidente vascular cerebral (AVC) em até 20%. Segundo especialistas, o frio estimula os receptores periféricos da pele, causando vasoconstrição (redução do diâmetro dos vasos sanguíneos) e, consequentemente, sobrecarga do sistema circulatório. Praticar exercícios nesta época do ano exige cuidados extras. + Treinar no inverno: 9 dicas para reduzir o risco de lesões no frio Praticar exercícios no frio precisa ser feito com cuidado redobrado, pois as doenças cardiovasculares aumentam no inverno iStock Por que as doenças cardiovasculares aumentam no inverno? O cardiologista Silvio Póvoa Junior destaca que as doenças cardiovasculares aumentam no inverno devido a uma combinação de fatores. Uma explicação fisiopatológica é que, no tempo frio, há maior necessidade do corpo buscar formas de se manter aquecido e evitar a perda de calor, a fim de manter a temperatura corporal em torno de 36 °C a 37 °C. Isso exige o recrutamento do chamado sistema simpático, que envolve a liberação de diversas substâncias na circulação, sendo a mais famosa a adrenalina. Estas substâncias têm vários efeitos no corpo, incluindo o aumento da frequência cardíaca, o aumento da pressão arterial e o crescimento da chamada resistência vascular periférica. — A ideia é fechar os vasos sanguíneos periféricos, reduzindo a perda de calor para o ambiente. Além disso, manter a temperatura corporal estável gera uma demanda energética. Isso, em quem já tem alguma doença cardiovascular, pode ser o fator de descompensação — pondera Silvio. + 7 dicas de cuidados ao praticar exercícios no frio O diretor do Departamento de Cardiogeriatria da Sociedade Brasileira de Cardiologia, José Carlos da Costa Zanon, explica que, no inverno, período com temperaturas mais baixas, os vasos sanguíneos se contraem, o que pode, consequentemente, aumentar pressão arterial. — O aumento da pressão arterial é um dos principais fatores de risco para ataques cardíacos e derrames, que são as doenças cardiovasculares mais comuns nesta época do ano. O resfriado também pode intensificar a formação de trombos, o que aumenta ainda mais o risco de complicações cardiovasculares — afirma o cardiologista. + Por que comemos mais no inverno? O frio deixa você com fome? Silvio lembra ainda que, no inverno, devido às baixas temperaturas, há uma tendência de busca por alimentos mais calóricos, pois o corpo consome mais energia para manter a temperatura corporal, o que pode ser um fator de descompensação de doenças metabólicas como diabetes, colesterol, pressão alta e obesidade. Segundo o médico, essas doenças contribuem para as doenças cardiovasculares. — Durante o inverno, à medida que a quantidade de luz solar diminui, é mais provável que as pessoas procurem menos parques, clubes, praias, pistas e piscinas nos horários livres do dia. Isso significa que a prática de exercícios físicos, algo muito importante para a saúde, passa a ser menor — acrescenta o médico. + Resfriados e gripes: entenda como é a atividade física durante a recuperação O que diz a ciência Um estudo publicado na revista científica Science of the Total Environment analisou o efeito da temperatura ambiente na mortalidade cardiovascular em 27 cidades brasileiras. Segundo os achados, temperaturas baixas e altas na maioria dos municípios do Brasil estão associadas a maior mortalidade cardiovascular. A nível nacional, o efeito do tempo frio aumentou o risco relativo de mortalidade por problemas cardiovasculares em 26%. De acordo com outro estudo, publicado no International Journal of Circumpolar Health, as infecções respiratórias e virais, mais comuns no inverno, podem ser um fator de risco para doença coronariana ou acidente vascular cerebral, pois impactam na coagulação sanguínea, causam danos às paredes dos vasos e podem promover aterosclerose. O estudo descobriu que, durante o inverno na Finlândia, ocorrem cerca de 3.500 mortes extras em comparação com outras épocas do ano. Desse número, 900 são causados por doença coronariana e 500 por acidente vascular cerebral. Cuidados com a saúde no inverno Durante o inverno é fundamental manter hábitos de vida saudáveis, segundo José Carlos: Ter uma alimentação equilibrada, evitando o excesso de alimentos ricos em gordura e sal; Não fume; Evite bebidas alcoólicas; Faça atividades físicas regularmente; Mantenha o corpo aquecido em épocas de frio intenso. Silvio acrescenta alertando que é preciso controlar adequadamente os principais fatores de risco cardiovasculares, como pressão arterial, colesterol e diabetes. — Devemos dar atenção especial à hipertensão arterial sistêmica. O frio, ao “fechar os vasos sanguíneos” (o que chamamos de aumento da resistência vascular periférica) pode aumentar a pressão. Além disso, perde-se menos água e sal através da transpiração em dias frios. Portanto, pode ser que pressões aparentemente bem controladas no verão necessitem de ajuste no inverno — pondera o especialista. Pacientes com doença coronariana e insuficiência cardíaca precisam ser monitorados de perto. O aumento da ativação do sistema simpático (adrenalina e substâncias similares) pode ser um fator de descompensação. O mesmo raciocínio pode ser aplicado às taquiarritmias, que são arritmias que “aceleram” o ritmo cardíaco. Cuidados com os exercícios no inverno Para não sobrecarregar o corpo, que sofre com o frio, é necessário aquecê-lo adequadamente para realizar exercícios físicos. Não se deve abandonar as atividades físicas, mas praticá-las com cuidado redobrado. O ideal, segundo os cardiologistas, é iniciar o treino com intensidades menores e aumentar progressivamente o esforço. Também é necessário vestir-se de acordo com a temperatura do ambiente onde é realizado o exercício e estar bem alimentado. — Deve-se ter cuidado ao praticar exercícios ao ar livre, em piscinas, em mares e rios. A temperatura externa pode influenciar não só o desempenho, mas também a saúde. Vale lembrar que a comida às vezes também é uma forma de nos mantermos aquecidos. Tanto pela temperatura oferecida pelos alimentos quentes quanto pelo próprio metabolismo energético, que vai dissipar a energia em forma de calor — explica Silvio. José Carlos acrescenta que a hidratação deve ser mantida em níveis elevados para a realização de exercícios físicos, mesmo que a transpiração seja menor que no calor e o indivíduo não sinta sede. Fontes: José Carlos da Costa Zanon é cardiologista, diretor do Departamento de Cardiogeriatria da Sociedade Brasileira de Cardiologia (@sbc.cardiol) e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Ouro Preto UFOP. Silvio Póvoa Junior (@drsilviopovoajr) é cardiologista do Dante Pazzanese de Cardiologia e do Hospital Israelita Albert Einstein. É especialista em Medicina Interna e bolsista em Cardiologia Desportiva.
empréstimo pessoal itau simulador
taxa juros emprestimo consignado
emprestimo bradesco cai na hora
como antecipar décimo terceiro pelo app bradesco
código 71 bolsa família o que significa
empréstimo quanto de juros
simular empréstimo fgts itau
0