O estado lançou a primeira política pública do Brasil que promete rastrear animais desde o nascimento até o abate, até o final de 2026. O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), colocou um brinco no primeiro boi do estado a ser incluído no Cadastro Bovino Individual Sistema de Rastreabilidade do Pará (SRBIPA). O evento aconteceu. O evento aconteceu no Parque de Exposições Orlando Quagliato, em Xinguara (PA). O Imaflora Pará se tornou, na última quarta-feira (11), o primeiro estado do Brasil a lançar uma política pública que promete acompanhar a vida do gado desde o nascimento até o abate, com o objectivo de garantir carne livre de desflorestação. Atualmente, nem o governo federal possui medida semelhante, embora o tema esteja em discussão no Ministério da Agricultura desde maio. + A ideia do governo do Pará é colocar chips e brincos nas orelhas do gado, com números individuais – como os nossos “CPFs” – que devem ajudar a verificar se os animais nasceram ou passaram por uma fazenda com irregularidades ambientais e até mesmo com trabalho análogo à escravidão. O programa está sendo denominado Sistema Pará de Rastreabilidade Individual Bovina (SRBIPA). O primeiro boi a ganhar “CPF” foi batizado de “Pioneiro” (imagem abaixo). Ele recebeu o brinco na última quarta-feira, em Xinguara (PA), pelas mãos do próprio governador Helder Barbalho (MDB), que prometeu rastrear todo o rebanho paraense até o final de 2026, quando termina o atual mandato. O estado tem atualmente 24 milhões de bovinos, o segundo maior rebanho do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O que já está definido: o governo do Pará já estabeleceu como será feita a identificação do gado e o sistema onde serão registrados os dados dos animais – já foram publicadas três portarias sobre esse tema. O que falta: o estado ainda precisa publicar as regras sobre como os dados do gado serão cruzados com as informações socioambientais para garantir uma carne livre de desmatamento. O primeiro boi a ganhar “CPF” foi batizado de “Pioneiro”. Imaflora Por que isso importa? O Brasil, como maior exportador de carne bovina, enfrenta pressão para garantir que sua produção não esteja ligada ao desmatamento, especialmente na Amazônia Legal, que abriga 44,3% do rebanho bovino do país. Em janeiro de 2025, a União Europeia irá proibir a entrada de qualquer produto que tenha passado por áreas desmatadas. A China, que é o nosso principal comprador, publicou, em 2021, regras para impedir a importação de produtos associados ao desmatamento. Alguns frigoríficos do Pará – e de outros estados do Amazonas – já verificam a origem do animal. Isso porque, a partir de 2009, muitos deles assinaram Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) com o Ministério Público Federal (MPF), comprometendo-se a não comprar gado proveniente de áreas desmatadas. Mas ainda há problemas: hoje, o único controle de entrada e saída de gado das fazendas é feito pela Guia de Trânsito Animal (GTA), que identifica apenas a origem dos grupos de animais, mas não a de cada um individualmente; a maioria dos frigoríficos apenas verifica a situação dos seus fornecedores diretos, ou seja, das fazendas que engordam o gado; Não há a mesma verificação dos fornecedores indiretos, que geralmente são fazendas que criam bezerros e gado magros. A identificação individual do gado, com brincos e chips, visa solucionar os gargalos acima . Leia também: Como a Amazônia se tornou berço do maior rebanho bovino do Brasil Brasil tem 9 vezes mais bovinos e frangos do que pessoas No Rastro do Boi Como o gado paraense ganhará ‘CPF’ Em entrevista ao g1, o secretário do O secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Pará, Raul Protázio Romão, explicou que o sistema que vai coletar os dados do gado é o Sigeagro. É um programa do estado do Pará que atualmente registra informações sobre propriedades rurais, como o seu número no Cadastro Ambiental Rural (CAR). O CAR é um documento público nacional que mostra onde está a fazenda e sua situação ambiental: se possui áreas de preservação, reservas legais, etc. “A única coisa que vai mudar é que os dados individualizados dos animais passarão a fazer parte desse banco de dados [do Sigeagro]”, explica Romão. No sistema, o pecuarista inserirá informações como sexo, data de nascimento e vacinações do seu rebanho. Esses dados serão vinculados a um número que sempre começará com 076, seguido de mais 15 dígitos. A emissão dos números será feita pelo Ministério da Agricultura O “076” é o prefixo do Brasil na Organização Internacional de Normalização (ISO), entidade global que desenvolve padrões para bens e serviços que serão colocados. nos ouvidos dos animais Como garantir carne livre de desmatamento levando em conta os critérios dos acordos já assinados entre frigoríficos da Amazônia e o MPF De acordo com esses termos, as empresas da região não podem comprar gado de fazendas que possuem. desmatamento ilegal, trabalho escravo ou sobreposição com unidades indígenas, quilombolas e de conservação. Para chegar a essa conclusão, os frigoríficos cruzam dados do CAR e GTAs das fazendas com imagens de satélite e documentos diversos, como embargos ambientais, lista suja de. trabalho escravo, etc. Segundo Romão, o próprio governo do estado fará essa análise de dados e os disponibilizará em uma plataforma chamada Selo Verde. “O Selo Verde já existe no estado, mas vamos adaptá-lo com as informações individuais do gado. Assim, o frigorífico poderá saber que o ‘animal 327’ nasceu em uma propriedade dentro de terra indígena e que , portanto, não terá condições de comprar”, diz Romão. Alguns frigoríficos da Amazônia já possuem sistemas para rastrear a origem do gado. Para este grupo de empresas, o secretário afirma que o governo pode desenvolver APIs, que permitam conectar sistemas para troca de dados. Como estão os pequenos produtores? Romão afirma que a proposta do governo foi bem recebida pelos grandes pecuaristas da região, pois muitos deles já identificam seu gado individualmente para melhor administrar suas fazendas. Sem contar que, para grandes empresas, não custa caro implementar a rastreabilidade com chip, pois os custos do processo ficam diluídos nos custos das empresas. Mas os pequenos produtores necessitarão de apoio, uma vez que muitos não têm a mesma capacidade de investimento que as grandes explorações agrícolas. Por conta disso, o governo do Pará promete doar 4 milhões de pares de brincos e salgadinhos para crianças. “Estamos falando de 60 mil a 70 mil imóveis que atendem aos requisitos para receber a doação”, diz Romão. Por outro lado, o secretário afirma que o governo busca parcerias para viabilizar a colocação de brincos e salgadinhos no rebanho das pequenas propriedades. O processo de instalação requer, por exemplo, rampas ou baús, que são estruturas que seguram os animais enquanto eles recebem os acessórios. Nem todo produtor possui esse equipamento, que é mais caro que brincos e chips. “O brinco não vai dar problema. Custa R$ 10 por cabeça. Mas instalar custa R$ 30 [por boi]”, explica Romão. Por isso, a ideia do governo é circular pelo estado com picapes para levar rampas móveis às pequenas propriedades. Como vão os debates Os critérios que os frigoríficos do Amazonas seguem – e que o governo do estado do O Pará deveria adotar – foram desenvolvidas pela ONG Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), em conjunto com o MPF. Marina Guyo, que é gestora de políticas públicas do Imaflora, explica que a ONG também faz parte do Conselho Gestor que define as políticas públicas. regras do programa Imaflora Pará Outra ONG que faz parte do conselho é a The Nature Conservancy (TNC), além de associações de indústrias e agricultores do estado. preside o conselho. O conselho tem estado muito ativo, com reuniões uma vez por mês. Pelo nível de envolvimento dos atores, podemos dizer que há sinais positivos de engajamento político”, comenta Marina, do Imaflora. Para Marina, um dos destaques dessa política pública é que ela não excluirá os pecuaristas que têm pequenas irregularidades com o estado Um exemplo disso é quando um pecuarista desmata dentro do limite permitido pelo Código Florestal, mas sem autorização do governo do estado. Na Amazônia, o produtor rural pode desmatar até 20% de sua propriedade, mas deve. preservar os 80% restantes, ele tem uma irregularidade administrativa que não é tão grave quanto invadir terras públicas ou desmatar além do percentual. Então, com base no programa de requalificação comercial, ele se comprometerá com a regularização, e será fiscalizado pelo governo do estado. “, explica ele. Políticas públicas mais amplas Romão, do Meio Ambiente, explica que todas essas medidas fazem parte de uma política pública mais ampla, que foi chamada de “Programa de Integridade e Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Pecuária Bovina e Bubalina no Pará”. A medida tem três eixos: rastreabilidade individual (que é o processo de colocação de brincos no gado); qual é a garantia de que o animal não veio de área desmatada); e o desenvolvimento da pecuária (o governo fornece crédito e assistência técnica para melhorar a produção). enviou um cronograma de prazos para implementação da política pública. Veja abaixo. Cronograma Até 31 de dezembro de 2025: os produtores deverão identificar – com marcas auriculares e chips – todos os bovinos que serão movimentados no interior do estado, seja para abate, criação, recria, engorda, leilões e exportação; Até 31 de dezembro de 2026: todo boi que foi ou não movimentado dentro do estado deverá ser identificado. O sistema também será dividido em três fases, começando pelas regionais com maior número de rebanhos. 1ª fase: Marabá, Tucuruí, Novo Progresso, Xinguara, Redenção, São Geraldo do Araguaia, Altamira, Rondon e Tucumã – prevista para 2024 e 2025; 2ª fase: Abaetetuba, Castanhal, Capanema, Capitão Poço, Santarém, Oriximiná, Itaituba e Paragominas – janeiro a dezembro de 2025. 3ª fase: Almeirim, Soure, Breves – Adepará não detalhou as datas desta etapa. O g1 questionou a agência, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem. Por que há tanto gado na Amazônia? PF, prato do futuro: rastreando gado com chips na Amazônia
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