No Brasil, eventos como furacões são extremamente raros; apenas o Furacão Catarina foi registrado, em 2004. Trajetória de todos os ciclones tropicais que se formaram no mundo entre 1950 e 2005. NASA/Centro Nacional de Furacões O poderoso furacão Beryl, está atravessando o Mar do Caribe central, iniciando surpreendentemente a temporada de furacões no Atlântico, que promete ser mais intenso do que o normal, segundo a Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA). A previsão é que sejam registrados até 13 furacões este ano, com alertas de alta intensidade devido ao aquecimento dos oceanos. Mas por que eventos como esse são extremamente raros no Brasil? Até o momento, tivemos apenas um caso registrado no país, que foi o Furacão Catarina, em março de 2004. Ele passou pelo sul do estado de Santa Catarina e causou danos significativos, deixando 11 mortos. A maioria dos meteorologistas considera este fenômeno extremamente atípico. Para explicar isso, primeiro precisamos entender o que são os ciclones tropicais (nome científico de furacão) e lembrar que a atmosfera terrestre exerce pressão sobre a superfície do globo. Você conhece a história do submarino Titan e a pressão do oceano? É algo semelhante – apenas ao contrário. A pressão do ar é mais alta ao nível do mar e diminui à medida que a altitude aumenta, porque quanto mais ar temos, mais peso temos. Nível do mar: pressão mais alta Mais altitude: menos pressão E os ciclones são sistemas de baixa pressão atmosférica, ou seja, são grandes massas de ar que giram em torno de um centro intenso de baixa pressão, causando condições climáticas eventos adversos em grande parte escala. Em outras palavras, um ciclone “puxa” o ar quente e úmido da superfície e o joga para cima, formando nuvens de chuva. Isso acontece porque o ar quente e úmido sobe sobre o oceano, criando a área de baixa pressão. O ar das áreas circundantes então, com maior pressão, move-se para essa área, aquecendo e subindo também. À medida que o ar quente sobe e esfria, forma nuvens. Dessa forma, todo o sistema de nuvens e ventos gira e cresce, alimentado pelo calor e pela evaporação do oceano. Portanto, os ciclones tropicais só se formam em águas oceânicas quentes perto do equador, pelo menos 5° – 30° de latitude norte ou sul da linha imaginária, onde a temperatura do mar é de pelo menos 27ºC (ver mapa acima). “No litoral do Sudeste brasileiro, por exemplo, nossas temperaturas ficam em torno de 23 a 24°C. 27°C é água muito quente”, afirma Fábio Luengo, meteorologista da Climatempo. As imagens mostram o rastro de destruição deixado pelo furacão Beryl. Além disso, outro fator crucial que impede a ocorrência desses eventos em nosso país está relacionado a um fenômeno físico que faz com que objetos (como aviões ou correntes de ar) que percorrem longas distâncias ao redor da Terra pareçam se mover em curva e não em linha reta. linha. Este fenômeno é conhecido como Efeito Coriolis ou Força de Coriolis, em homenagem ao matemático e físico francês Gaspard-Gustave de Coriolis, e atua em sistemas de tempestades como os ciclones tropicais. Isso acontece porque nosso planeta gira em torno de seu eixo e, assim, faz com que o ar que percorre longas distâncias pela Terra não se mova em linha reta, mas seja desviado. “Essa força é maior à medida que a latitude aumenta. Ou seja, à medida que avançamos em direção aos pólos ela cresce. No equador é nula”, acrescenta Luengo. Com essa força muito fraca, fica mais difícil a formação de sistemas organizados de baixa pressão, como os furacões – o que favorece o Brasil, já que a maior parte do nosso território está na zona tropical, próximo à linha do Equador. Outra função do Coriolis é fazer com que essas tempestades girem em direções opostas nos hemisférios do planeta: os ciclones tropicais no Hemisfério Norte giram no sentido anti-horário, enquanto os do Hemisfério Sul giram no sentido horário. O efeito Coriolis não existiria se a Terra não girasse em torno do seu eixo. NOAA/Adaptação Por fim, outro elemento que não pode ser deixado de lado nesta equação que favorece o Brasil é o alto cisalhamento vertical do vento no Atlântico Sul. Toda essa palavra explica a mudança que ocorre na velocidade e direção do vento, que varia com a altitude da nossa atmosfera. O baixo cisalhamento vertical favorece a formação de furacões, pois a velocidade e a direção do vento não mudam muito em toda a troposfera, a camada mais baixa da atmosfera onde ocorrem os ciclones tropicais. Alto cisalhamento (como no nosso caso) os torna difíceis. crescimento e pode fazer com que ele enfraqueça em vez de fortalecê-lo. Furacão sem precedentes Olho do furacão Beryl visto do espaço Beryl é o primeiro no Caribe porque é a primeira vez que um furacão de categoria 5 atinge a região em junho – a temporada de furacões no Caribe e nos Estados Unidos normalmente vai de julho a Setembro, após o verão no Hemisfério Norte. As autoridades prevêem uma temporada de furacões mais severa na região este ano. Classificado pelo Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC) como “extremamente perigoso”, Beryl emergiu como uma tempestade tropical e se tornou um furacão no fim de semana. Subiu da categoria 1 para a 4 num intervalo de apenas dez horas, considerado muito baixo. Mas o que significa um furacão de categoria 5? A medição é baseada em uma escala criada na década de 1970 pelo engenheiro Herbert Saffir e pelo meteorologista Robert Simpson, nos EUA — por isso, foi chamada de escala Saffir-Simpson. Veja a escala abaixo de acordo com a intensidade: Categoria 1: potencial para causar algum dano, com ventos de 119 a 153 km/h. Pode causar danos ao telhado, quebrar grandes galhos de árvores e linhas de energia. Categoria 2: potencial para causar grandes danos, ventos de 154 km/h a 177 km/h. As casas podem sofrer danos estruturais. Árvores são arrancadas e bloqueiam estradas. As quedas de energia são frequentes. Categoria 3: potencial para causar danos devastadores, com ventos de 178 km/h a 208 km/h. Grandes danos aos edifícios. Muitas árvores serão quebradas ou arrancadas. Eletricidade e água podem não estar disponíveis. Categoria 4: potencial para causar danos catastróficos, com ventos de 209 km/h a 251 km/h. As casas podem ser derrubadas, assim como os postes de energia, causando danos à rede durante semanas ou meses. Categoria 5 (estágio atual de Beryl): potencial para causar danos catastróficos, com ventos superiores a 252 km/h. Muitas casas serão destruídas, com desabamento de paredes e perda de telhados. As áreas residenciais serão isoladas. Potencial para que as áreas fiquem inabitáveis por semanas ou meses. LEIA TAMBÉM ENTENDA: Por que o furacão Beryl, sem precedentes no Caribe, ganhou status de ‘extremamente perigoso’ Homens puxam barco atingido pelo furacão Beryl em Bridgetown, Barbados, em 1º de julho de 2024. Ricardo Mazalán/ AP Furacão Beryl é visto do espaço Reprodução/ Reuters Intensidade Furacão Beryl sobe para categoria 5 O furacão Beryl começou a se formar na semana passada como uma instabilidade e ganhou força. Veja a cronologia: 25 de junho: começa a instabilidade na atmosfera, favorecendo a formação de uma tempestade. 28 de junho: o que era instabilidade ganha força rumo ao Caribe e se transforma em tempestade tropical. Até agora, a previsão era de ventos de 56 km/h. 30 de junho: foi classificado como furacão e entrou na categoria 3 (de uma classificação que vai até 5). Ainda no dia 30 de junho: passou para categoria 4, com alerta de perigo extremo, com ventos de até 240 km/h. 1º de julho: reclassificado para categoria 5. 3 de julho: rebaixado para categoria 4, mas o alerta de perigo extremo continua. Os ventos chegam a 225 km/h. Segundo o NHC, uma tempestade tão poderosa no início da temporada de furacões, que vai de junho ao final de novembro no Atlântico, é extremamente rara. Especialistas dizem que Beryl ganhou essa proporção em tão pouco tempo por causa das águas ferventes do oceano. As temperaturas na região onde a tempestade se formou estão até 3°C acima da média. No final de maio, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) já tinha anunciado que a temporada de furacões deste ano seria “extraordinária”, com até sete tempestades de categoria 3 ou superior. Projeção indica trajetória do furacão Beryl pelo Caribe NHC/Ilhas de reprodução no Caribe se preparam para chegada do furacão Beryl com ventos de 195 km/h VÍDEOS: mais assistidos no g1
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