Atualmente no Vasco e com serviços prestados ao Flamengo, Helio Fádel destaca a sensibilidade do COB: “Não é preciso esperar o problema acontecer para ter um psiquiatra envolvido” A saúde mental é um dos pilares da qualidade de vida e tem ganhado cada vez mais atenção no esporte de alto rendimento. E os Jogos Olímpicos Paris 2024 serão um marco nesse tema no Brasil. A delegação brasileira terá um psiquiatra nas Olimpíadas pela primeira vez na história. Mineiro de Juiz de Fora, Helio Fádel fará parte de uma equipe formada por outros cinco psicólogos que darão suporte aos atletas brasileiros durante as Olimpíadas. Atual coordenador do Centro de Saúde Mental do Vasco e com atendimento aos atletas do Flamengo, o profissional reforça o trabalho multidisciplinar do Team Brasil em busca de medalhas em Paris. + Seja o primeiro a saber as últimas notícias esportivas! Clique aqui e acompanhe ge Zona da Mata no WhatsApp “O esporte sempre pediu mais cuidado. E é difícil, porque ainda existe o estigma de que a psiquiatria só se relaciona com casos de doenças graves.” Helio Fádel ao lado da ginasta Jade Barbosa Heio Fádel/Arquivo pessoal Médico há 11 anos, Helio Fádel especializou-se em psiquiatria em 2019. Em meio aos estudos, o profissional de saúde se dedicou a um processo de construção da importância do trabalho conjunto entre psicólogos e psiquiatras no desporto, como é o caso da população em geral. Segundo ele, o trabalho interdisciplinar no esporte de alto rendimento, principalmente em momentos agudos como o auge do ciclo olímpico, é um caminho sem volta. — Quando pensamos na magnitude da representação do Brasil na maior competição que são as Olimpíadas, e o que isso acarreta em termos de pressão e responsabilidade, tudo isso pode gerar sofrimento mental, seja no espectro da ansiedade ou da depressão, uso de substâncias. O atleta é muito regimentado e tem suas abdicações diárias o tempo todo. Cabe a nós, profissionais de saúde mental, nesse acompanhamento, ajudar para que ele consiga entregar o melhor resultado e também ter qualidade de vida. “Procuramos trabalhar com psicologia, clínica geral, neurologia, cardiologia e, finalmente, procurar um psiquiatra. O Comitê Olímpico Brasileiro traz essa sensibilidade de que não é preciso esperar o problema acontecer para ter um psiquiatra envolvido. Quanto mais precoce a abordagem, melhor será o prognóstico para esse atleta”, A medida de inserção de profissional psiquiátrico e os cuidados com a saúde mental dos atletas realizados pelo COB foram vistos de forma positiva pelo Comitê Olímpico Internacional, segundo Fádel. O médico explica que a preocupação do COI com o bem-estar dos atletas tem a ver com as fortes exigências que o alto rendimento exige na busca pela glória olímpica. Helio Fádel embarcou esta semana com parte da delegação brasileira à França Heio Fádel/Arquivo pessoal Fádel disse ainda que, apesar da evolução científica e do crescente interesse de clubes e entidades esportivas em relação às emoções dos atletas, ainda existe muito preconceito, falta de conhecimento sobre a importância da prevenção e compreensão do quão estressante pode ser a vida de quem pratica esportes de alto nível. “A vida com renda alta não é o que as pessoas pensam. Não é saudável, é diferente de praticar esportes recreativos, onde você não tem pressão. É um fato estressante que pode promover ou melhorar as condições de saúde mental. Estamos falando de ansiedade, depressão, insônia, transtornos alimentares, entre outros.” O grupo de preparação mental do COB conta com 17 profissionais no total. Sete destes membros deste departamento irão para Paris. Além de Hélio Fádel, apoiarão a delegação brasileira o coordenador Eduardo Cillo e as psicólogas Aline Wolff, Carla Di Pierro, Carla Ide e Marisa Markunas. Eduardo afirma que o alinhamento entre os profissionais é essencial para uma abordagem bem-sucedida dos pacientes. — Conseguimos ir além do trabalho multidisciplinar e fazer um trabalho interdisciplinar. Todo caso que requer atenção acaba sendo tratado tanto pelo psicólogo quanto pelo psiquiatra. Nesta parceria são discutidos detalhes do cuidado, da assistência e dos limites onde coexistem a psiquiatria e a psicologia. Para que esse trabalho aconteça de forma eficaz em benefício do atleta, é necessário alinhar a forma como os dois atuam. Eles precisam falar a mesma língua Futebol: um longo caminho a percorrer Helio Fádel teve outras experiências com tratamento psiquiátrico antes de chegar ao Comitê Olímpico Brasileiro. Atualmente, coordena o Centro de Saúde Mental do Vasco, que repassa as informações necessárias à Secretaria de Saúde e Desempenho do clube carioca. Helio Fádel coordena Centro de Saúde Mental do Vasco Heio Fádel/Arquivo pessoal Antes de chegar ao Cruz-Maltino, Fádel colaborou com o departamento de futebol do Tupi, clube campeão da Série D do Brasileirão e que hoje está sem divisão nacional e na terceira divisão em Minas Gerais. Além disso, o psiquiatra prestou serviços ao Flamengo em meados de 2020, quando Jorge Jesus era o treinador. Na época, o clube enviou atletas para acompanhamento com Fádel. O profissional fazia parte da rede de apoio de Michael. Helio Fádel esteve com Jorge Jesus e Michael no início de 2024 no Al-Hilal Heio Fádel/Arquivo pessoal O jogador falou publicamente sobre os problemas emocionais que enfrentou durante sua passagem pelo Rubro-Negro. Mais tarde, no início de 2023, o atacante do Al-Hilal levou Fádel para a Arábia Saudita para continuar o seu trabalho psiquiátrico. Apesar dessas experiências com o esporte, Helio Fádel afirma que as características inerentes ao futebol tornam esse universo mais complexo de ser explorado quando o assunto é saúde mental. Segundo ele, o esporte olímpico está à frente nesse quesito. Texto inicial do plugin — Não vejo a mesma progressão em termos de rapidez no atendimento à saúde mental no futebol. É muito difícil para os profissionais terem acesso a todos os clubes, porque depende de como a associação entende como o trabalho é ou não bem feito. Existem algumas crenças de que o atleta pode não se sentir confortável em contar tudo ao terapeuta porque isso supostamente será repassado à comissão técnica e se voltará contra ele. “Na minha opinião, a Psiquiatria do Esporte e a Psicologia do Esporte no local ajudam a abreviar a abordagem, porque o atleta terá uma relação de confiança com o profissional de lá. Não é uma realidade para todos os clubes e seria o modelo mais assertivo de ter um departamento de saúde mental nos clubes”. Helio Fádel explica que a opção das confederações e clubes, em geral, de não criarem um departamento multidisciplinar, com a opção de fazer encaminhamentos para psicólogos e psiquiatras de forma individualizada, é um caminho alternativo, mas menos eficaz. Segundo ele, nada substituiu o trabalho diário realizado, por exemplo, no COB. — Fomos elogiados pelo COI como um dos comitês que mais fala sobre saúde mental no mundo. Somos uma referência. Isso se deve ao trabalho diário que envolve a psicologia e a psiquiatria de forma preventiva e mantém esses cuidados. Entendemos que cuidamos da saúde mental todos os dias. Não é algo vertical, exige monitoramento. O psiquiatra e a ansiedade Quem disse que os profissionais de saúde mental não precisam lidar com problemas semelhantes aos relatados pelos pacientes no consultório? Às vésperas dos Jogos Olímpicos, Helio Fádel tenta superar os sentimentos que tem com os atletas em tratamento. Fã de futebol, o psiquiatra afirma que, fora do horário de trabalho, pretende fazer valer o poder da credencial e participar do maior número possível de eventos na França Helio Fádel ao lado do ginasta Arthur Nory Heio Fádel/Arquivo pessoal — Estou muito ansioso falar a verdade é inevitável. Numa situação como essa a questão não é se você terá ou não ansiedade, mas como você irá dialogar com esse sentimento e essas emoções. Faço um paralelo com a própria vida do atleta. Eles se preparam num ciclo para entregar o seu, para ter um desempenho melhor, o melhor resultado. Tudo isso cria expectativas e desencadeia ansiedade. Nós, que estamos diariamente com eles, criamos essa conexão de propósito, de conhecimento. “Sabemos das dores, dos desejos, das abdicações dos atletas. O sonho deles se torna o nosso sonho.” A realização profissional também tem seu peso neste momento. Apesar de entender a importância da conquista em sua carreira e comemorar o crescimento da psiquiatria no esporte, Fádel afirma que prefere ter os pés no chão e trabalhar para ajudar os atletas brasileiros a terem as melhores condições possíveis para buscar bons resultados. — É um misto de sentimentos, onde podemos incluir a realização profissional, o pertencimento e também a responsabilidade por ser o primeiro psiquiatra a fazer parte da delegação do Team Brasil — finalizou.
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